Justiça
A retomada do julgamento no STF sobre denúncia contra Silas Malafaia
Um pedido de vista de Cristiano Zanin retirou o caso do plenário virtual da Primeira Turma
A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal recomeça nesta terça-feira 28 o julgamento da denúncia contra o pastor Silas Malafaia por injúria e calúnia a integrantes do Alto Comando do Exército.
A análise do caso começou em março no plenário virtual, mas o ministro Cristiano Zanin pediu destaque, o que forçou o agendamento de uma sessão presencial. Apenas o relator, Alexandre de Moraes, havia votado na ocasião — ele defendeu aceitar a denúncia e tornar Malafaia réu.
A retomada no plenário físico anula os votos proferidos no sistema virtual. Na prática, portanto, o julgamento volta à estaca zero. Compõem a Primeira Turma, além de Moraes e Zanin, os ministros Flávio Dino e Cármen Lúcia.
Para Moraes, a acusação da Procuradoria-Geral da República descreve de forma adequada os fatos e apresenta indícios mínimos de existência do crime e da autoria, requisitos necessários para a abertura de uma ação penal.
O relator também rejeitou argumentos da defesa que contestavam a competência do STF no processo e alegavam ausência de justa causa para a denúncia. Segundo o ministro, há conexão entre os fatos investigados e outros procedimentos em trâmite na Corte.
De acordo com a acusação, Malafaia proferiu declarações ofensivas contra generais de quatro estrelas durante uma manifestação em 6 de abril de 2025 na Avenida Paulista, em São Paulo. Entre os citados estão integrantes do Alto Comando do Exército, incluindo o comandante, general Tomás Paiva.
O pastor chamou os oficiais de “cambada de frouxos”, “cambada de covardes” e “cambada de omissos”. A PGR também sustenta que ele atribuiu falsamente a prática de crime militar aos generais ao comentar a prisão do general Walter Braga Netto (PL).
“Cadê esses generais de quatro estrelas, do Alto Comando do Exército? Cambada de frouxos, cambada de covardes, cambada de omissos. Vocês não honram a farda que vestem. Não é para dar golpe, não, é para marcar posição”, disse Malafaia na ocasião.
Ainda conforme a denúncia, as declarações foram posteriormente divulgadas em perfis de Malafaia nas redes sociais, ampliando o alcance das acusações. Para a Procuradoria-Geral, as afirmações configuram os crimes de injúria e calúnia, com agravantes por terem sido direcionadas a autoridades públicas em razão do cargo e disseminadas em ambiente público e virtual.
Nesta etapa, os ministros da Primeira Turma avaliam apenas se há elementos suficientes para abrir uma ação penal. Caso aceitem a denúncia, Malafaia passará à condição de réu e o processo seguirá para a fase de instrução, a fim de reunir provas e ouvir testemunhas antes do julgamento do mérito.
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