Justiça
Mendonça pede vista e interrompe julgamento que pode condenar Eduardo Bolsonaro
O caso envolve difamação contra a deputada Tabata Amaral. Quatro ministros já haviam votado contra o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro
O ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça pediu vista e interrompeu, nesta quarta-feira 22, o julgamento que pode condenar o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) por difamação contra a deputada Tabata Amaral (PSB-SP).
Antes da suspensão da análise, quatro ministros haviam votado, todos pela condenação de Eduardo: Alexandre de Moraes (relator), Cármen Lúcia, Flávio Dino e Cristiano Zanin. A votação ocorria no plenário virtual e terminaria na próxima terça-feira 28. Agora, Mendonça tem até 90 dias para liberar os autos.
Tabata acionou a Corte após Eduardo criticar, em 2021, um projeto que tratava da distribuição de absorventes. O então deputado acusou a colega de agir “com o propósito de beneficiar ilicitamente terceiros” e de “querer atender ao lobby de seu mentor-patrocinador Jorge Paulo Lemann, um dos donos da produtora de absorventes P&G”.
O relator original da queixa-crime, Dias Toffoli, havia determinado o arquivamento. Um recurso de Tabata, porém, levou o caso ao plenário do STF, que acolheu a ação e tornou Eduardo réu.
Em seu voto pela condenação, Moraes sustentou que “as condutas e declarações não estão abrangidas pela imunidade material inviolabilidade enquanto espécie qualificada do gênero ‘liberdade de expressão'”.
O relator propôs sentenciar Eduardo a um ano de detenção, no regime inicial aberto, e fixar multa de 39 dias-multa — cada dia seria equivalente a dois salários mínimos.
Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome
Muita gente esqueceu o que escreveu, disse ou defendeu. Nós não. O compromisso de CartaCapital com os princípios do bom jornalismo permanece o mesmo.
O combate à desigualdade nos importa. A denúncia das injustiças importa. Importa uma democracia digna do nome. Importa o apego à verdade factual e a honestidade.
Estamos aqui, há mais de 30 anos, porque nos importamos. Como nossos fiéis leitores, CartaCapital segue atenta.
Se o bom jornalismo também importa para você, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal de CartaCapital ou contribua com o quanto puder.




