Justiça
Júri popular condena 2 réus pelo assassinato de Mãe Bernadete
Arielson Santos recebeu uma pena de 40 anos de prisão, enquanto a Marílio dos Santos coube uma sentença de quase 30 anos
Dois dos seis homens acusados de participação no assassinato da ialorixá e líder quilombola Mãe Bernadete foram condenados nesta terça-feira 14, em julgamento no Tribunal do Júri da Comarca de Salvador (BA).
Veja as penas atribuídas aos réus:
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Arielson da Conceição Santos: 40 anos, 5 meses e 22 dias de prisão
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Marílio dos Santos: 29 anos e 9 meses de prisão
Maria Bernadete Pacífico foi assassinada em 17 de agosto com 25 tiros na casa que funcionava como sede da associação do Quilombo Pitanga dos Palmares, em Simões Filho, distante cerca de 26 quilômetros da capital baiana. A líder religiosa estava com seus três netos quando foi atingida.
O crime foi provocado pela insatisfação de Sérgio Ferreira de Jesus, de 45 anos. Ele foi reprimido pela líder religiosa devido à exploração ilegal de madeira praticada na região. O homem, então, instigou e auxiliou integrantes da facção Bonde do Maluco a realizar o crime.
A ialorixá era uma das lideranças da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas e uma voz ativa na defesa do território, na luta contra o racismo e na busca por respostas pela morte de seu filho, Flávio Gabriel Pacífico dos Santos, conhecido como Binho do Quilombo, assassinado em 2017 por defender as mesmas bandeiras da matriarca.
O assassinato da líder quilombola e referência do candomblé baiano ocorreu mesmo depois de a vítima denunciar frequentes ameaças. Ela, inclusive, fazia parte do Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos, do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania.
O julgamento dos demais acusados – Josevan Dionísio dos Santos, Sérgio Ferreira de Jesus, Ydney Carlos dos Santos de Jesus e Carlos Conceição Santiago – ainda não tem data marcada. A reportagem busca contato com as defesas dos réus para se manifestarem sobre o resultado do julgamento. O espaço segue aberto.
A análise da denúncia apresentada pelo Ministério Público começou na segunda-feira 13, quando o TJ-BA realizou o sorteio dos sete jurados do conselho de sentença. Seguindo o rito, houve os depoimentos das testemunhas de acusação e o interrogatório de Arielson. A única testemunha de defesa que prestaria depoimento foi dispensada. Foragido, Marílio não foi ouvido, mas seus advogados marcaram presença no tribunal.
No segundo dia de julgamento, a sessão, conduzida pela juíza Gelzi Maria Almeida Souza Matos, foi dedicada às alegações finais da acusação e da defesa.
Mais cedo, um comunicado divulgado pela Anistia Internacional pontuou que a condenação dos assassinos de Mãe Bernadete seria a oportunidade de o Brasil “firmar um pacto com a proteção de defensores e defensoras de direitos humanos”. Para a entidade, a resolução do caso representaria uma resposta às comunidades quilombolas do País, alvo de ameaças e agressões cotidianas.
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