Economia
Lula mantém urgência para projeto do fim da escala 6×1 após ruído com Motta
Declaração de líder petista contrariou articulação interna e expôs desencontro com o presidente da Câmara
Um desencontro entre integrantes do governo e a cúpula da Câmara dos Deputados marcou a articulação em torno do fim da escala de trabalho 6×1 na quarta-feira 8. A avaliação no Palácio do Planalto é que o líder do governo na Câmara, José Guimarães (CE), “queimou a largada” ao indicar uma mudança de estratégia que não havia sido acertada internamente.
A sinalização de Guimarães ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), de que o Executivo abriria mão do envio de um projeto de lei em regime de urgência não foi combinada nem com o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, nem com o presidente Lula (PT).
Nos bastidores, a leitura é que a declaração antecipada provocou um ruído ao sugerir um alinhamento que não existia no governo. A versão foi reforçada após afirmações de Lula ao ICL indicarem o caminho oposto.
“Vamos votar e vai aprovar, eu tenho certeza de que vai aprovar. Vamos mandar nesta semana, vou conversar com o companheiro Hugo”, disse Lula em entrevista ao site.
O governo decidiu manter a estratégia original e deve enviar ainda nesta semana ao Congresso um projeto de lei com regime de urgência para tratar do fim da escala 6×1.
O projeto prevê mudanças na jornada de trabalho, com a ampliação do descanso semanal, e busca acelerar a tramitação no Legislativo ao impor prazos para análise na Câmara e no Senado.
O episódio evidencia a disputa de estratégias entre o governo e a Câmara. Enquanto Motta defende a tramitação por meio de uma PEC, com rito mais longo e com maior participação das Casas, o Planalto aposta no regime de urgência como forma de garantir rapidez na votação.
Uma reunião entre o presidente Lula e integrantes do governo nesta quinta-feira 9 consumou a ideia. O encontro contou com a presença dos ministros Luiz Marinho (Trabalho e Emprego), Miriam Belchior (Casa Civil), Dario Durigan (Fazenda), Márcio Elias Rosa (Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), Bruno Moretti (Planejamento e Orçamento), Guilherme Boulos (Secretaria-Geral) e Sidônio Palmeira (Secom).
Atualização, 9 de abril de 2026, 21h40 – Ao contrário do que o texto anteriormente informava, o líder do governo na Câmara é José Guimarães e não Pedro Uczai, a quem é atribuída a fala do presidente da Casa, Hugo Motta. O texto foi atualizado e corrigido.
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