Augusto Diniz | Música brasileira
Jornalista há 25 anos, Augusto Diniz foi produtor musical e escreve sobre música desde 2014.
Augusto Diniz | Música brasileira
Álbum de cânticos ancestrais reúne coral indígena e orquestra de cordas
Grupo de coro Amba Wera se junta ao conjunto orquestral Almai para registrar a cultura musical guarani
Maurício Biguai Poty é coordenador do coral Amba Wera, da aldeia Tekoa Pyau, localizada no Território Indígena do Jaraguá, na cidade de São Paulo. O grupo de coro foi criado há mais de 20 anos e Biguai tem a missão de leva-lo à frente depois da morte, há quatro anos, do pajé local, criador do coral.
Um dos seus “sonhos” com o grupo foi realizado há pouco. Trata-se da gravação de álbum do coral indígena com a Orquestra Almai de cordas. “Esse encontro é diferente”, diz Biguai. “Fortalece a nossa aldeia, nossa cultura, nossa língua guarani”.
A liderança conta que o pajé tinha resistência de realizar um trabalho musical com os não indígenas, mas isso foi superado. As oito faixas do disco são todas de cânticos indígenas guarani mbya, desde músicas sagradas usadas em cerimônias às que tratam de fortalecimento, saúde e coragem.
“Nosso objetivo central é amplificar a música indígena, dialogar com a tradição deles. É um esforço nosso de colocar a música indígena em primeiro plano, mesmo com a orquestra tocando junto”, explica José Calixto Cohon, diretor do projeto ao lado de Anselmo Mancini.
O álbum, disponível nas plataformas de música, tem o nome de Yy Jojou – Encontro das Águas. O título do trabalho remete a união de duas tradições musicais diferentes.
A orquestra Almai é composta por violino, viola, violoncelo e contrabaixo, envolvendo 28 músicos. O coral Amba Wera, além de 14 vozes indígenas, conta com músicos executando viola guarani, rabeca, tambor e chocalho.
O coordenador do coral explica que a viola guarani tem cinco cordas, mas se executa do mesmo jeito que um violão tradicional.
Calixto explica que a instrumentação do álbum respeitou a dimensão sagrada das músicas, resguardando a cultura guarani. Ele conta que fez uma densa pesquisa de como poderia fazer o encontro da música orquestral com o coral indígena e, dessa forma, elaborar os arranjos das composições. “Juntar os instrumentos com o canto foi muito especial”, afirma.
Assista à entrevista de Maurício Biguai Poty e de José Calixto Cohon a CartaCapital:
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