Política

Presidente do PT admite MDB fora da chapa de Lula e defende foco em alianças nos estados

‘Não há como derrotar o fascismo sem a construção de um campo democrático forte’, diz Edinho Silva, que agora se dedica à consolidação de parcerias com aliados históricos

Presidente do PT admite MDB fora da chapa de Lula e defende foco em alianças nos estados
Presidente do PT admite MDB fora da chapa de Lula e defende foco em alianças nos estados
O ex-prefeito de Araraquara, Edinho Silva (PT). Foto: EBC
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O presidente nacional do PT, Edinho Silva, passou a admitir que PSD e MDB devem ficar de fora da aliança pela reeleição de Lula no pleito deste ano. O dirigente petista integra a ala do partido que defendia a ampliação do palanque do presidente, mas, diante das sinalizações de que não conseguirá atrair novos apoios, defende focar nas coligações regionais.

“Penso que as alianças com o PSD e MDB serão construídas nos estados. Não creio em aliança nacional com esses partidos, temos que respeitar as contradições”, afirmou Edinho, em alusão às diferenças internas das legendas, de acordo com registro publicado pelo jornal Folha de São Paulo neste domingo 29. “São muitas lideranças desses partidos que sabem o que está em jogo nessas eleições, que a escolha será de futuro, qual o legado que deixaremos para as futuras gerações”.

Aliados de Lula empreenderam esforços para contar, ao menos, com o MDB na coligação. O próprio presidente chegou a se reunir com dirigentes do partido nas últimas semanas, acenando com a possibilidade de ocuparem a vice na chapa. Mas a articulação provocou uma reação interna: no início de março, a maioria dos diretórios estaduais emedebistas assinou um manifesto em defesa da neutralidade na disputa presidencial.

Neste sábado 28, outro movimento cristalizou o distanciamento entre a sigla comandada por Baleia Rossi e o PT: a filiação do vice-governador de São Paulo, Felício Ramuth, em articulação que contou com as digitais do chefe do Palácio dos Bandeirantes, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Sem novos aliados ao centro, o presidente do PT se dedica à consolidação de alianças com aliados históricos, como o PDT, embora também esbarre em resistências internas. Um exemplo disso é o Rio Grande do Sul, onde a sigla trabalhista defende Juliana Brizola para concorrer ao governo gaúcho, mas o diretório petista insiste na candidatura própria de Edegar Pretto. Os dois aparecem bem posicionados em pesquisas de intenção de voto, o que tem dificultado um acordo.

O embarque petista na pré-candidatura de Brizola faz parte de um arranjo nacional entre os partidos. Além do RS, Lupi pediu a Edinho o apoio do PT na disputa pelo governo do Paraná, com Requião Filho (PDT), e de Minas Gerais, com Alexandre Kalil. Neste último caso, o partido tende a endossar a possível empreitada do senador Rodrigo Pacheco (PSD).

Em troca, os pedetistas se comprometeram a estar ao lado do candidato do PT em uma série de estados, como São Paulo, Bahia, Ceará, Rio Grande do Norte e Piauí.

“O PT gaúcho tem tradição de projeto coletivo, sempre foi exemplo para o Brasil. Ainda acredito que vão dimensionar o momento histórico que vivemos e que a tática eleitoral do presidente Lula tem que prevalecer. As decisões do estado não podem colocar em risco a reeleição do projeto nacional. Não dá para errarmos nessa dimensão, a história irá cobrar. E o preço pode ser politicamente caríssimo”, afirmou Edinho em relação ao palanque no RS.

Segundo ele, não há nada mais importante que a vitória de Lula, até pelo significado para o futuro do Brasil, para a mudança da correlação de forças da América Latina. “Temos uma avaliação política que não há como derrotar o fascismo no Brasil sem a construção de um campo democrático forte. Nesse sentido, a tática para essa vitória é a reeleição do presidente Lula. Não podemos ter essa leitura e decidir em contradição a isso. Não faz sentido”.

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