Justiça

Investigação do Banco Master volta a encostar em autoridades com foro

A possibilidade do processo ser total ou parcialmente remetido à primeira instância, ventilada semanas atrás, é tida agora como descartada

Investigação do Banco Master volta a encostar em autoridades com foro
Investigação do Banco Master volta a encostar em autoridades com foro
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. Foto: Gustavo Moreno/STF
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A Polícia Federal encontrou novos indícios de envolvimento de pessoas com foro por prerrogativa de função no escândalo da suposta fraude financeira no Banco Master.

As perícias avançaram e os investigadores tiveram acesso a mais dados obtidos das primeiras quebras de sigilo determinadas pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, relator do caso na Corte. A expectativa, conforme apurou CartaCapital, é que novas medidas sejam determinadas pelo ministro nas próximas semanas.

Em fevereiro, Mendonça autorizou a PF a adotar o fluxo ordinário de trabalho pericial na análise de cerca de 100 dispositivos eletrônicos, revertendo uma determinação do primeiro relator, ministro Dias Toffoli, que impôs restrições de acesso às apreensões pela corporação.

O caso chegou ao Supremo em novembro do ano passado sob a justificativa, apresentada pela defesa de Daniel Vorcaro, ex-CEO do Master, de que as investigações haviam encontrado uma menção ao deputado João Carlos Bacelar (PL-BA) em um dos documentos apreendidos.

O nome do parlamentar, no entanto, caiu no esquecimento e não voltou a ser mencionado novamente nas investigações. Bacelar sequer foi alvo de mandados de buscas e apreensões.

Semanas antes da saída de Toffoli da relatoria do caso, especulava-se a possibilidade do processo ser total ou parcialmente remetido à primeira instância, na ausência de envolvimento de pessoas com foro privilegiado. Essa possibilidade, porém, é tida agora como descartada.

Com ramificações que atravessam os Três Poderes, cresce a expectativa em torno da possível colaboração premiada de Vorcaro. Na última sexta-feira 20, o banqueiro assinou uma termo de confidencialidade com a PF para dar início ao processo de delação.

Pelas regras legais, as declarações de Vorcaro só terão peso nas investigações se forem corroboradas por provas independentes. Sem esse respaldo, não passam de alegações sem valor jurídico.

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