Justiça

Moraes vota por dar repercussão geral ao Caso Mari Ferrer no STF

A discussão acontece no plenário virtual e os demais ministros poderão votar até a próxima sexta-feira 27

Moraes vota por dar repercussão geral ao Caso Mari Ferrer no STF
Moraes vota por dar repercussão geral ao Caso Mari Ferrer no STF
Ministro Alexandre de Moraes, relator na Ação Penal na terceira Sessão do julgamento do caso Marielle Franco no STF. Foto: Rosinei Coutinho/STF
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O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, votou pelo reconhecimento da repercussão geral em uma processo sobre constrangimento da vítima em uma acusação de estupro. A discussão acontece no plenário virtual e os demais ministros poderão votar até a próxima sexta-feira 27.

O caso em questão é o de Mariana Ferrer, que acusou o empresário André de Camargo Aranha de tê-la drogado e estuprado em um evento em Florianópolis (SC), em 2018. Mesmo após um laudo confirmar que houve relação sexual e que a vítima havia perdido a virgindade, a primeira instância e o Tribunal de Justiça catarinense absolveram o acusado por falta de provas.

A vítima alega ter sofrido humilhação, ironia, ofensa e sarcasmo durante o seu depoimento no TJ-SC. Mariana argumenta não ter havido reação dos presentes na audiência, entre eles juiz, promotor de Justiça e defensor público. Ela requer, assim, a anulação da sentença que absolveu o acusado.

Em seu voto, Moraes disse que o tribunal de Santa Catarina se limitou a analisar o caso como uma questão disciplinar administrativa e deixou de abordar os efeitos no processo das violações alegadas pela vítima. Para o ministro, há indícios de “violação à essência do devido processo legal” neste caso.

Moraes criticou o TJ-SC por não analisar o pedido de nulidade do processo apresentado por Ferrer. Ela sustentou que “o abalo emocional sofrido prejudicou completamente a sua tranquilidade psicológica no sentido de fazer prova quanto a ocorrência do estupro”. 

Para o ministro, a maneira como o sistema de Justiça processa esse tipo de caso é parcialmente responsável pelo fenômeno da subnotificação de crimes de estupro e violência sexual. Por fim, afirmou ser essencial que o Supremo garanta a análise da “licitude da prova colhida em processos por crimes contra a dignidade sexual nos quais há violações de direitos fundamentais”.

Se a maioria do STF reconhecer a repercussão geral, o STF analisará se a decisão que absolveu o acusado deve ser anulada.

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