Justiça
A dupla estratégia de Fachin para lidar com a crise do Master no Supremo
Enquanto os colegas mais combativos cobram uma manifestação pública, o presidente tem dito que o tribunal precisa ‘falar pela pauta’
Equilibrando-se entre o fogo amigo e a repercussão do escândalo do Banco Master, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, tenta reposicionar a Corte a crise sob duas táticas: pautar temas de relevância social e dar celeridade aos julgamentos que referendam decisões monocráticas.
Enquanto a ala mais combativa do Supremo cobra uma manifestação pública em defesa da Corte e dos colegas chamuscados pelo caso, o presidente tem dito aos ministros que o tribunal precisa “falar pela pauta”.
Conforme apurou a reportagem, foi o presidente do Supremo, em conversas com os magistrados da Segunda Turma, que adiantou o julgamento que formou maioria pela manutenção da prisão de Daniel Vorcaro, ex-CEO do Banco Master, mantendo a decisão de André Mendonça. Dias Toffoli se declarou impedido e não votou.
Fachin também abriu conversas com Gilmar Mendes sobre os chamados ‘penduricalhos’. Mendes relata ações sensíveis sobre o tema. No meio dessas tratativas, Flávio Dino antecipou-se e publicou decisão proibindo a criação de novas normas que ampliem esse tipo de benefício.
Desde janeiro, quando interrompeu o recesso diante das revelações sobre o contrato entre o escritório de Viviane Barci de Moraes — esposa de Alexandre de Moraes — e o Banco Master, estimada em cerca de 130 milhões de reais, Fachin intensificou as conversas individuais com os colegas ministros.
À época, Toffoli, então relator, também passou a ser questionado pela condução do caso. Com a perícia nos dispositivos de Vorcaro ainda inconclusa, o ambiente era de incerteza e decisões processuais controversas agravaram a percepção de descontrole.
Apesar do ambiente carregado, prevalece nos bastidores certa normalidade. Entre uma sessão e outra, conversas triviais e gargalhadas ecoam na sala do lanche, nos fundos do plenário.
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