Justiça

Juíza rejeita isentar Bretas de IR por suposto burnout

A decisão reforça que o ex-juiz da Lava Jato exerce atividades como ‘produtor de conteúdo digital’ e ‘conselheiro’

Juíza rejeita isentar Bretas de IR por suposto burnout
Juíza rejeita isentar Bretas de IR por suposto burnout
O juiz Marcelo Bretas. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Apoie Siga-nos no

A juíza Bianca Stamato Fernandes, da 5ª Vara Federal de Execução Fiscal do Rio de Janeiro, negou um recurso de Marcelo Bretas e confirmou a decisão que rejeita um pedido do ex-juiz da Lava Jato para obter isenção de Imposto de Renda sobre sua aposentadoria.

Bretas acionou a Justiça em busca da benesse por supostamente sofrer de burnout. A magistrada, em despacho assinado na última terça-feira 10, ressaltou que a documentação médica demonstra não haver um quadro clínico patológico persistente.

Fernandes anotou também que o próprio laudo protocolado pelo ex-juiz aponta que seu quadro clínico derivou essencialmente da insatisfação com a aposentadoria compulsória imposta por sua atuação parcial na Lava Jato, não de sua atividade funcional.

A decisão enfatiza também que Bretas exerce regularmente atividades como “produtor de conteúdo digital”, “conselheiro” e “consultor em compliance e governança”.

“Dessa forma, verificou-se a existência de situação fática incompatível com a alegação de comprometimento funcional persistente e incapacitante, o que afasta a tese de que o autor padece de síndrome de burnout“, acrescentou a juíza.

Em junho de 2025, o Conselho Nacional de Justiça decidiu afastar definitivamente Marcelo Bretas da magistratura. Ele respondia a três processos administrativos, sob a relatoria do conselheiro José Rotondano. Todos os colegas seguiram a recomendação do relator de impor aposentadoria compulsória.

Em uma das ações, movida pela Ordem dos Advogados do Brasil, o ex-juiz da Lava Jato era acusado de barrar o acesso a documentos pelas defesas e de ter se tornado relator de casos por meio de ações irregulares. A OAB também acusou Bretas “de negociar penas, orientar advogados e combinar estratégias com o Ministério Público”.

ENTENDA MAIS SOBRE: , , ,

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo

Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome

Depois de anos bicudos, voltamos a um Brasil minimamente normal. Este novo normal, contudo, segue repleto de incertezas. A ameaça bolsonarista persiste e os apetites do mercado e do Congresso continuam a pressionar o governo. Lá fora, o avanço global da extrema-direita e a brutalidade em Gaza e na Ucrânia arriscam implodir os frágeis alicerces da governança mundial.

CartaCapital não tem o apoio de bancos e fundações. Sobrevive, unicamente, da venda de anúncios e projetos e das contribuições de seus leitores. E seu apoio, leitor, é cada vez mais fundamental.

Não deixe a Carta parar. Se você valoriza o bom jornalismo, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal da revista ou contribua com o quanto puder.

Leia também

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo