Política
Governo Lula cancela o visto de Darren Beattie, assessor de Trump
O conselheiro do presidente dos Estados Unidos viria ao País na semana que vem
O Ministério das Relações Exteriores cancelou o visto concedido a Darren Beattie, conselheiro do governo de Donald Trump para políticas relacionadas ao Brasil, impedindo, assim, que ele venha ao País. A visita estava prevista para a próxima semana, e Beattie havia solicitado autorização para visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na prisão.
Entre idas e vindas, a visita ao ex-capitão estava suspensa por decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes. O encontro havia sido autorizado para a quarta-feira 18. A defesa do ex-presidente, por sua vez, solicitava outra data, sob o argumento de que o assessor de Trump estaria no Brasil entre segunda e terça.
Nesta sexta-feira, durante evento no Rio de Janeiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse que havia proibido a entrada de Beattie no País. Segundo o petista, a condição para autorizar a viagem seria que os EUA revogassem as sanções contra o ministro da Saúde, Alexandre Padilha (PT). A esposa e a filha do ministro estão com os vistos de entrada nos EUA suspensos desde agosto de 2025.
“Bloquearam o visto do Padilha, o visto da mulher dele e o visto da filha dele de 10 anos. Então, Padilha, esteja certo de que você está sendo protegido”, disse Lula.
No despacho que veta a visita, Moraes explicou que Beattie não comunicou ao Ministério das Relações Exteriores qualquer projeção de se reunir com Bolsonaro. De acordo com a pasta, o visto ao norte-americano foi concedido para ele participar de uma conferência sobre minerais críticos e de reuniões com representantes do governo brasileiro.
“A realização da visita de Darren Beattie, requerida neste autos pela defesa de Jair Messias Bolsonaro, não está inserida no contexto diplomático que autorizou a concessão do visto e seu ingresso no território brasileiro, além de não ter sido comunicada, previamente, às autoridades diplomáticas brasileiras, o que, inclusive poderia ensejar a reanálise do visto concedido”, escreveu o magistrado.
Em ofício a Moraes, o chanceler Mauro Vieira disse que apenas na quarta-feira 11, depois de a defesa de Bolsonaro solicitar ao STF aval para ele receber Beattie na Papudinha, a Embaixada dos Estados Unidos em Brasília manifestou interesse em agendas com o Ministério das Relações Exteriores – por e-mail e WhatsApp.
Primeiro, a embaixada solicitou uma reunião na próxima terça-feira 17 entre o conselheiro de Trump e a Coordenação-Geral de Ilícitos Transnacionais. No mesmo dia, por WhatsApp, um diplomata da embaixada pediu um encontro entre Beattie e o secretário de Europa e América do Norte, Roberto Abdalla, também na próxima terça.
Nenhuma das reuniões solicitadas está confirmada, segundo o Itamaraty.
“Cumpre observar, por oportuno, que a visita de um funcionário de Estado estrangeiro a um ex-presidente da República em ano eleitoral pode configurar indevida ingerência nos assuntos internos do Estado brasileiro”, acrescentou o chanceler.
Darren Beattie trabalha desde o mês passado no setor do Departamento de Estado norte-americano responsável por propor e supervisionar as políticas de Washington sobre Brasília. O conselheiro de Trump já se referiu a Moraes como o “principal arquiteto da censura e da perseguição” a Bolsonaro.
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