Justiça

Com voto de Fux, STF mantém Moro réu por calúnia contra Gilmar

A Primeira Turma decidiu, por unanimidade, rejeitar um recurso do senador

Com voto de Fux, STF mantém Moro réu por calúnia contra Gilmar
Com voto de Fux, STF mantém Moro réu por calúnia contra Gilmar
O ministro Gilmar Mendes e o senador Sergio Moro. Fotos: Marcelo Camargo/Agência Brasil e Reprodução/Redes Sociais
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O ministro do Supremo Tribunal Federal Luiz Fux votou, nesta sexta-feira 13, por rejeitar um recurso do senador Sergio Moro (União-PR) contra a decisão que o tornou réu por calúnia contra o ministro Gilmar Mendes. Assim, a Primeira Turma decidiu, por unanimidade, negar o apelo do ex-juiz da Lava Jato.

Quatro ministros já haviam votado em outubro de 2025, todos eles por rechaçar os embargos de declaração: Cármen Lúcia (relatora), Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Cristiano Zanin. Na ocasião, apesar da maioria formada, Fux pediu vista, o que adiou a conclusão da análise.

Fux já não compõe a Primeira Turma, mas proferiu seu voto. O caso entrou em pauta porque expirou o prazo regimental de 90 dias para um ministro liberar os autos após o pedido de vista — ou seja, a liberação do processo foi automática, não um ato deliberado de Fux.

Os próximos passos são a proclamação do resultado e, na sequência, a publicação do acórdão. Com a decisão de negar o recurso, o STF dá continuidade à ação penal, ao fim da qual condenará ou absolverá Moro.

“Patente não haver omissão a ser sanada. Sob o pretexto de sanar vícios inexistentes, busca-se a rediscussão do acórdão pelo qual recebida a denúncia contra o embargante”, concluiu Cármen em seu voto.

Em abril de 2023, ganhou força nas redes sociais um vídeo em que Moro ironizava Gilmar. O cenário era uma festa junina na qual o ex-magistrado conversava com algumas pessoas. Após uma mulher dizer que ele “está subornando o velho”, Moro respondeu: “Não, isso é fiança. Instituto para comprar um habeas corpus do Gilmar Mendes”.

Segundo a Procuradoria-Geral da República, o senador, “com livre vontade e consciência, caluniou o ministro Gilmar Mendes, imputando-lhe falsamente o crime de corrupção passiva“. A defesa de Moro nega as acusações.

Apesar de acompanhar Cármen Lúcia no julgamento, Fux afirmou em seu voto concordar com uma diligência solicitada por Moro, a fim de esclarecer o responsável pela divulgação do vídeo e a eventual ciência do senador quanto a essa publicação.

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