Economia
Oito em cada 10 brasileiros são a favor do fim da escala 6×1, sem redução salarial
Os dados constam em pesquisa Nexus divulgada nesta quinta-feira 12
Oito em cada 10 brasileiros de 16 a 40 anos são a favor do fim da escala 6×1, sem redução salarial, segundo pesquisa Nexus divulgada nesta quinta-feira 12. A pesquisa entrevistou 2.021 cidadãos a partir de 16 anos nas 27 unidades da federação, entre os dias 30 de janeiro e 5 de fevereiro. A margem de erro no total é de dois pontos percentuais, com intervalo de confiança de 95%.
O levantamento apontou que 73% dos millenials, jovens de 25 a 40 anos, são a favor da mudança na lei trabalhista; 17% se disseram contra. No entanto, quando questionados sobre o fim da escala estar ou não condicionada à redução salarial, metade dos que eram contrários à proposta (9%) migram da desaprovação para a aprovação caso a nova regulamentação não implique redução salarial dos trabalhadores.
Com isso, a taxa de aprovação da proposta, sobe para 82% nos jovens entre 25 e 40 anos, principal camada da população inserida no mercado de trabalho brasileiro.
O mesmo acontece entre integrantes da geração Z, formada por jovens de 16 a 24 anos. Neste recorte, 69% se disseram favoráveis ao fim da escala 6×1 e 22%, contra. Caso a redução nas horas trabalhadas não estivesse condicionada à diminuição salarial, 13% dos 22% contrários mudariam de ideia, subindo de 69% para 82% o percentual de aprovação.
“Quando observamos os números em detalhe, fica evidente que a renda mensal funciona como o principal fator de decisão nesse debate. Há um grupo menor, mas relevante, que apoia o fim da escala independentemente do impacto salarial, o que sugere uma mudança de valores em relação ao trabalho. Ainda assim, a maioria dos millennials adota uma posição pragmática: apoia a mudança desde que ela não implique perda de renda”, avalia Marcelo Tokarski, CEO da Nexus.
Atualmente, tramitam no Congresso quatro PECs tratam da redução da jornada semanal de trabalho de 44 para 40 ou 36 horas, medida que, na prática, abre caminho para o fim do modelo de seis dias de trabalho para um de descanso.
Uma das PECs está sob relatoria do deputado Paulo Azi (União-BA) na CCJ da Câmara e expectativa é que o parecer sobre a proposta fique pronto em abril. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), já declarou apoio à pauta governista.
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