Bem-Estar
Sedentário magro: entenda por que o número na balança nem sempre reflete saúde
Muitas pessoas acreditam que estar dentro do peso ideal é sinônimo de saúde. Mas, no Brasil, onde quase 40% da população adulta é sedentária, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), um perfil silencioso e preocupante vem crescendo nos consultórios: o do “sedentário […]
Muitas pessoas acreditam que estar dentro do peso ideal é sinônimo de saúde. Mas, no Brasil, onde quase 40% da população adulta é sedentária, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), um perfil silencioso e preocupante vem crescendo nos consultórios: o do “sedentário magro”.
Diante desse cenário, a endocrinologista Fernanda Parra alerta que o número na balança nem sempre reflete a saúde real e pode esconder riscos importantes para o metabolismo. Ela explica que o antigo conceito de saúde baseado apenas no Índice de Massa Corporal (IMC) está caindo desuso.
“Muitas pacientes chegam ao consultório celebrando um peso estável, mas a bioimpedância revela uma realidade assustadora: uma porcentagem de gordura visceral altíssima escondida sob uma massa muscular quase inexistente. É a chamada obesidade oculta”, explica.
Gordura visceral: o “órgão doente” que você não vê
Diferentemente da gordura subcutânea, aquela que incomoda no espelho ou aperta o jeans, a gordura visceral é invisível e letal. Ela se aloja entre os órgãos vitais e funciona como um “órgão endócrino doente”, disparando inflamações constantes pelo corpo. No sedentário magro, esse processo silencioso é o gatilho para doenças graves, como:
- Diabetes tipo 2: a resistência à insulina acontece mesmo sem excesso de peso aparente;
- Esteatose hepática: o fígado acumula gordura de forma assintomática, podendo evoluir para quadros críticos;
- Riscos cardiovasculares: as artérias inflamam devido à má composição corporal, aumentando as chances de infarto e acidente vascular cerebral (AVC).

Músculo: o seu “seguro de vida” em 2026
Para Fernanda Parra, o músculo precisa ser resgatado do campo da estética e levado para o campo da sobrevivência. “O tecido muscular é o motor do nosso metabolismo e de sobrevivência. Ele consome glicose, regula a saciedade e combate a inflamação. Quando paramos de nos mexer, esse motor desliga, facilitando doenças crônicas, perda de mobilidade e menor expectativa de vida”, ressalta.
Com isso, o recado da especialista é claro: pare de perseguir números na balança e comece a gerenciar sua composição corporal. A musculação e o consumo estratégico de proteínas não são luxos para atletas, mas pilares inegociáveis para quem deseja envelhecer com saúde e vitalidade.
Por Rayssa Martins
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