Bem-Estar
Diagnóstico de HPV: resultado positivo pode causar ansiedade e medo
Receber o diagnóstico de HPV (papilomavírus humano) pode provocar impactos emocionais importantes. O estudo publicado na revista científica Health Psychology Review, chamado “Emotional response to testing positive for human papillomavirus at cervical cancer screening: a mixed method systematic review with meta-analysis”, aponta que mulheres que […]
Receber o diagnóstico de HPV (papilomavírus humano) pode provocar impactos emocionais importantes. O estudo publicado na revista científica Health Psychology Review, chamado “Emotional response to testing positive for human papillomavirus at cervical cancer screening: a mixed method systematic review with meta-analysis”, aponta que mulheres que recebem resultado positivo para o vírus frequentemente relatam sentimentos como ansiedade, medo e culpa.
Segundo os pesquisadores, essas reações muitas vezes vão além da preocupação com a saúde física e estão ligadas ao estigma ainda associado ao HPV, já que ele é classificado como uma infecção sexualmente transmissível (IST).
De acordo com Maria dos Anjos Neves Sampaio Chaves, ginecologista do Delboni Salomão Zoppi e coordenadora médica do setor de Genitoscopia da regional São Paulo da Dasa, a forma como o diagnóstico é comunicado pode fazer grande diferença para o bem-estar emocional da paciente.
“O diagnóstico de HPV pode gerar um impacto psicológico significativo. Por isso, é fundamental que o atendimento médico seja empático e informativo, ajudando a desmistificar a infecção e acolher o paciente”, explica.
Ansiedade é uma das reações mais comuns
A pesquisa mostra que a ansiedade costuma ser a emoção predominante após o diagnóstico. Muitas pacientes associam imediatamente o HPV ao câncer ou à infertilidade, o que aumenta o nível de preocupação.
No entanto, esse sofrimento emocional nem sempre está relacionado à gravidade do quadro clínico. Segundo especialistas, mesmo quando exames como a citologia apresentam resultados normais, muitas mulheres permanecem em estado de alerta.
Outro fator que contribui para o impacto emocional é a falta de informação sobre o vírus. Muitas pessoas ficam surpresas ao descobrir que o HPV é extremamente comum. Estima-se que cerca de 80% da população mundial terá contato com o vírus em algum momento da vida.
Além disso, sentimentos como vergonha ou repulsa em relação ao próprio corpo ainda podem aparecer em algumas pacientes, o que pode dificultar até mesmo a realização de exames preventivos.
Autocoleta pode facilitar o diagnóstico
Diante desse cenário, novas tecnologias vêm sendo utilizadas para ampliar o acesso ao diagnóstico do HPV. Uma das alternativas é a autocoleta para detecção do vírus. Nesse método, a própria paciente coleta uma amostra de secreção vaginal em casa, utilizando um kit específico que posteriormente é enviado para análise em laboratório.
“O exame é um teste molecular que identifica o DNA do papilomavírus humano e detecta os tipos de alto risco, especialmente os tipos 16 e 18, associados ao câncer do colo do útero”, explica Maria dos Anjos Neves Sampaio Chaves.
Apesar da praticidade, o exame não é um autoteste com resultado imediato. Trata-se de uma autocoleta, ou seja, a amostra é enviada para análise laboratorial especializada. Segundo a médica, essa estratégia pode ajudar a ampliar o acesso ao rastreamento, principalmente entre mulheres que enfrentam dificuldades para realizar exames presenciais.

Teste molecular já faz parte do rastreamento
Outra ferramenta importante para o diagnóstico é o teste de DNA-HPV com genotipagem, que já está disponível no Brasil, inclusive pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Esse exame molecular detecta o material genético do vírus e identifica os tipos considerados de alto risco antes mesmo que alterações celulares sejam visíveis. O teste é indicado principalmente para mulheres entre 30 e 64 anos, podendo ser repetido a cada cinco anos quando o resultado é negativo.
Segundo especialistas, a incorporação dessas tecnologias deve caminhar com uma abordagem mais humanizada no cuidado à saúde. “O uso de tecnologia de ponta é essencial para um diagnóstico preciso, mas o paciente também precisa se sentir acolhido e livre de julgamentos”, reforça Maria dos Anjos Neves Sampaio Chaves.
HPV pode permanecer no organismo por décadas
Um dos aspectos que ainda gera dúvidas entre os pacientes é o tempo de permanência do vírus no organismo. Em alguns casos, o HPV pode permanecer latente por anos ou até décadas antes de se manifestar.
Entre os cânceres associados ao HPV, o câncer do colo do útero é um dos mais conhecidos. A doença pode surgir quando o sistema imunológico não consegue eliminar o vírus e ocorre o desenvolvimento de células anormais no colo do útero.
Na maioria das vezes, a infecção é transitória e eliminada naturalmente pelo organismo. No entanto, quando causada por tipos virais de alto risco e persistente ao longo do tempo, pode evoluir para lesões pré-cancerígenas e tumores malignos.
Prevenção ainda é a melhor estratégia
Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer do colo do útero é o terceiro tipo de câncer mais incidente entre mulheres no Brasil, com cerca de 17.010 novos casos por ano no triênio 2023-2025.
Para Adriana Bittencourt Campaner, ginecologista e médica colposcopista da Dasa e do Alta Diagnósticos, a prevenção é fundamental para reduzir a incidência da doença. “Cerca de 70% das mortes por câncer de colo do útero poderiam ser evitadas com vacinação contra o HPV e exames de rastreamento realizados regularmente”, destaca a especialista.
Por Mariana Durante
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