Justiça
Esposa de Moraes detalha escopo de contrato com o Banco Master e nega atuação junto ao STF
É a primeira vez, desde que a existência de um acordo milionário veio à tona, que Viviane Barci de Moraes se pronuncia sobre a atuação para o banco de Daniel Vorcaro
A advogada Viviane Barci, sócia do escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados, divulgou nesta segunda-feira 9 uma nota pública detalhando os serviços prestados ao Banco Master entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025, quando foi decretada a liquidação extrajudicial do Master pelo Banco Central.
O comunicado surge três meses depois de vir a público a existência de um contrato milionário entre o banco e a banca comandada por Barci, que é esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes. Segundo a colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo, um contrato encontrado em formato digital no celular de Daniel Vorcaro previa remuneração mensal de cerca de 129 milhões de reais ao longo de três anos ao escritório.
A nota do Barci de Moraes não menciona valores, mas afirma que o escritório participou de 94 reuniões de trabalho e produzido 36 pareceres e opiniões legais durante a vigência do contrato. O serviço, prossegue a nota, mobilizou duas equipes jurídicas, com 15 advogados ao todo, além de três escritórios especializados contratados para atuar sob coordenação da banca.
Ainda de acordo com o comunicado, a maior parte da interlocução ocorreu na sede do banco. Teriam sido 79 reuniões presenciais, cada uma com cerca de três horas de duração, envolvendo representantes das superintendências de Compliance e da área Corporativa do Master e advogados do escritório. Os encontros teriam servido para análise de documentos, discussão de questões jurídicas e acompanhamento das atividades previstas no contrato.
A nota também registra 13 reuniões com a presidência do banco, duas delas presenciais no escritório de advocacia e outras onze realizadas por videoconferência, com duração média de duas horas. Houve ainda duas reuniões virtuais adicionais entre o departamento jurídico da instituição e os advogados responsáveis pela consultoria.
Entre os produtos entregues, segundo o escritório, estão 36 pareceres e opiniões jurídicas sobre diferentes áreas do direito — de temas previdenciários e trabalhistas a questões regulatórias, contratuais, negociais, de proteção de dados e operações de crédito. Uma das equipes teria atuado principalmente em governança e conformidade regulatória, revisando políticas internas e elaborando opiniões solicitadas pelo departamento de compliance do banco, inclusive para adequação a exigências da Controladoria-Geral da União no âmbito do programa Pro-Ética.
O comunicado também procura afastar a eventual atuação do escritório em processos no Supremo Tribunal Federal. “O escritório esclarece ainda que nunca conduziu nenhuma causa para o Banco Master no âmbito do STF ”, afirma o texto.
O caso
O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025 após deterioração financeira e suspeitas de fraude, interrompendo um processo de venda de carteiras da instituição ao banco estatal de Brasília, o BRB. Na semana passada, Vorcaro voltou a ser preso pela Polícia Federal no âmbito da terceira fase da Operação Compliance Zero, que apura crimes como corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos.
O vazamento de mensagens atribuídas a Vorcaro ampliou a pressão em torno do caso. O jornal O Globo sustenta supostos contatos entre o banqueiro e o Alexandre de Moraes no dia de sua primeira prisão. O ministro nega ter sido o destinatário das mensagens.
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