Justiça
‘Sicário’ de Daniel Vorcaro se suicida após ser preso, diz PF
Ele foi encontrado desacordado e foi socorrido e levado ao Hospital João XXIII, no centro de Belo Horizonte
Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, um dos presos nesta quarta-feira 4 na terceira fase da Operação Compliance Zero, morreu após uma tentativa de suicídio na cela da Superintendência da Polícia Federal de Minas Gerais. Ele chegou a ser socorrido e levado ao Hospital João XXIII, no centro de Belo Horizonte, mas não resistiu.
Apesar da confirmação da PF em Minas Gerias, a assessoria nacional da corporação não confirma o óbito. “Informações sobre o estado de saúde do preso serão informadas após atualização da equipe médica”, disse uma nota divulga na noite desta quarta.
Mais cedo, a PF relatou o episódio e informou ter enviado ao gabinete de Mendonça, relator do inquérito que apura as fraudes financeiras capitaneadas pelo Banco Master, “todos os registros em vídeo que demonstram a dinâmica do ocorrido”. Um procedimento interno foi instaurado para apurar o episódio.
A investigação aponta que Luiz Phillipi comandava uma estrutura informal chamada “A Turma”, utilizada para realizar atividades de vigilância, obtenção de informações e monitoramento de pessoas ligadas às investigações ou críticas ao grupo. Os investigadores apontam que ele recebia 1 milhão de reais por mês para prestar serviços ilícitos.
O relatório da PF que embasou a operação desta terça aponta que o agente realizava consultas em sistemas restritos de órgãos públicos, utilizando credenciais de terceiros para acessar bases de dados ligadas a instituições de segurança e investigação. De acordo com os investigadores, houve acessos indevidos a sistemas da própria PF, do Ministério Público Federal e até a bases internacionais.
Não foi a primeira vez que Luiz Phillipi foi alvo de operações policiais. Ele respondia, desde 2021 na Justiça de Minas, pela possível prática dos crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro e contra a economia popular. De acordo com a denúncia do Ministério Público, Mourão exercia uma função de chefia nos crimes praticados pela organização criminosa no âmbito de uma sociedade com Bruno Correa Lopes.
A madrasta de Lopes, a mãe e a irmã de Mourão também são investigadas no caso. O esquema envolvia atrair investimentos de pessoas mediante processos fraudulentos ou especulações, prejudicando o patrimônio de diversos investidores que acreditavam ter realizado aportes legítimos. Um relatório de inteligência apontou que Luiz Phillipi teve uma movimentação financeira atípica de 1,6 milhão de reais entre outubro de 2015 e junho de 2016, montante que seria fruto de empréstimos ilegais.
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