Política

PSOL dará palavra final sobre federação com o PT em março

A aliança, apresentada pelo PT a líderes psolistas no final do ano passado, está longe de ser uma unanimidade em ambas as legendas

PSOL dará palavra final sobre federação com o PT em março
PSOL dará palavra final sobre federação com o PT em março
O presidente Lula (PT) e Guilherme Boulos (PSOL). Foto: Miguel Schincariol/AFP
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De olho na cláusula de barreira e em meio às discussões sobre as candidaturas nos estados, o PSOL deliberará a proposta de integrar a Federação Brasil da Esperança (composta por PT, PCdoB e PV) em encontro marcado para 7 de março. A decisão foi comunicada pela presidente nacional da sigla, Paula Coradi, que se reuniu com dirigentes petistas nesta quarta-feira 25.

Hoje, o PSOL está federado com a Rede, que espera renovar o acerto por mais quatro anos.

“O debate sobre a federação é legítimo”, declarou Paula após o encontro. “Independentemente de composição em uma nova federação, temos que ressaltar que o PSOL esteve, neste terceiro mandato, ao lado do presidente Lula em pautas relevantes para o povo brasileiro e se posicionou na linha de frente no combate à extrema-direita, tanto nas ruas quanto na Câmara”.

A aliança, apresentada pelo PT a líderes psolistas no final do ano passado, está longe de ser uma unanimidade em ambas as legendas. Entre os petistas existe desconfiança quanto à união pelos posicionamentos do PSOL contra medidas do governo Lula, ainda que a agremiação controle dois ministérios: Povos Indígenas, com Sonia Guajajara, e a Secretaria-Geral da Presidência, com Guilherme Boulos.

O caso mais recente de divergência envolve a mobilização pela revogação do decreto assinado pelo petista que previa a inclusão de trechos dos rios Tapajós, Madeira e Tocantins no Programa Nacional de Desestatização para futuras concessões hidroviárias. A decisão acabou sendo revista na segunda-feira, após pressão e mobilização de indígenas.

No PSOL, parte da militância avalia que uma federação poderia prejudicar candidaturas próprias em diferentes estados, ao favorecer nomes petistas. Outra ala, mais radical, acredita que a aliança tende a descaracterizar o programa político do partido, que surgiu em 2005 como uma dissidência do PT. A reportagem apurou que somente a vertente Revolução Solidária, liderada por Boulos, tem endossado a união.

De acordo com o presidente do PT, Edinho Silva, a federação seria uma forma de manter a unidade do campo progressista em torno de temas prioritários para o governo Lula, como o fim da escala 6×1. O dirigente ainda afirmou, após o encontro, que a ideia é construir uma aliança que não afete a autonomia do PSOL, mas represente a “construção de uma agenda que signifique legado para o País”. Além dele, participaram da reunião o secretário-geral do partido, Henrique Fontana, do secretário de Organização, Laércio Ribeiro, e do secretário de Comunicação, Éden Valadares.

Na ocasião, também foram discutidas alianças entre as duas siglas que estão em construção em estados como São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Sergipe. Entre as principais apostas, está a indicação da ex-deputada Manuela D’Ávila para o Senado no RS, em uma composição composta pelo presidente do Conab, Edegar Pretto, e pela ex-deputada estadual Juliana Brizola (PDT).

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