Política

Sem nomes competitivos, PL cogita lançar vice-prefeito de Aracaju na disputa pelo governo de Sergipe

A ideia de lançar Ricardo Marques (Cidadania) dialoga com estratégia do PL para garantir palanques a Flávio Bolsonaro nos estados. Procurado, vice-prefeito confirma tratativas

Sem nomes competitivos, PL cogita lançar vice-prefeito de Aracaju na disputa pelo governo de Sergipe
Sem nomes competitivos, PL cogita lançar vice-prefeito de Aracaju na disputa pelo governo de Sergipe
Este é o vice-prefeito de Aracaju, Ricardo Marques (Cidadania) - Divulgação/Gilton Rosas/CMA
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Eleições 2026

Sem nomes competitivos para disputar a sucessão de Fábio Mitidieri (PSD), o diretório do PL em Sergipe estuda lançar o vice-prefeito de Aracaju, Ricardo Marques (Cidadania), como candidato ao governo nas eleições deste ano.

A busca por um nome de outro partido alinha-se à determinação da cúpula da sigla, que busca garantir palanques ao senador Flávio Bolsonaro (RJ), pré-candidato à presidência da República, em todos os estados. A ideia é que, mesmo onde o PL não lidere a chapa, haja pelo menos um candidato ao Senado, evitando que postulantes ao Executivo tentem esconder a associação com o filho de Jair Bolsonaro.

O nome de Ricardo consta de um documento com anotações feitas por Flávio com menções às negociações em andamento para a construção de alianças regionais, ao qual CartaCapital teve acesso.

No cenário descrito no material, o vice-prefeito lideraria a composição formada pelo deputado federal Rodrigo Valadares (União) e o coronel da Polícia Militar Henrique Alves da Rocha, possíveis postulantes à Casa Alta. Próximo da família Bolsonaro, Valadares deve trocar o partido chefiado por Antonio de Rueda pelo PL durante a janela partidária.

A anotação também cita a possibilidade de o ex-senador Eduardo Amorim (PSDB) fazer parte da chapa. O tucano, no entanto, é próximo da prefeita da capital, Emília Corrêa (Republicanos), com quem Marques rompeu suas relações no ano passado. O deputado do União, por sua vez, também se afastou da gestora após ela sair do PL e migrar para a sigla da Igreja Universal.

De acordo com relatos à reportagem, o vice-prefeito de Aracaju tem conversado com lideranças do partido desde janeiro.

Inicialmente, discutia-se sua filiação ao PL para concorrer à Câmara dos Deputados, mas ele virou opção para a corrida ao governo devido à sua popularidade. Pesa a favor de Marques, jornalista com mais de 20 anos de atuação, o fato dele ter sido um dos principais rostos dos telejornais da TV Sergipe, afiliada da Globo no estado. Antes de ir para o Executivo, o comunicador foi vereador da capital.

“Ricardo é alguém com imagem irretocável, uma figura limpa, mas a decisão ainda não foi tomada. Estamos conversando”, diz Moana Valadares, vereadora e presidente do diretório estadual do PL.

Outra opção da legenda para a sucessão de Mitidieri é o prefeito de Itabaiana, Valmir de Francisquinho, hoje no Republicanos.

O gestor do município localizado no agreste sergipano disputou o Palácio dos Despachos em 2022 sob júdice devido a problemas que enfrenta na Justiça. No mês passado, obteve uma liminar no Superior Tribunal de Justiça que o recolocou no páreo, animando aliados sobre uma possível empreitada no pleito deste ano.

Líderes do PL ouvidos sob reserva admitem que Francisquinho é o nome natural da oposição ao governador, mas rechaçam apoiá-lo pela aliança pró-Rogério Carvalho (PT) no segundo turno das eleições estaduais. Além disso, existe o temor de que ele sofra novos reveses judiciais, repetindo o cenário de 2022.

Procurado por CartaCapital, o vice-prefeito de Aracaju confirmou existirem conversas com o partido de Bolsonaro, mas disse que “qualquer decisão será tomada com responsabilidade, ouvindo lideranças, aliados e, principalmente, a sociedade sergipana”. A respeito da troca de sigla, afirmou que aguarda uma posição do Cidadania, que hoje vive um racha interno pelo seu comando.

“Enquanto isso meu foco continua sendo o mesmo: trabalhar pelo povo. Onde eu estiver em 2026, vou continuar fazendo o que sempre fiz: trabalho de verdade, com transparência e prestação de contas”, completou Marques.

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