Justiça
Partido de Bolsonaro aciona o TSE contra Lula por desfile na Sapucaí
A legenda afirma que pretende reunir elementos probatórios para futura investigação
O PL, partido da família Bolsonaro, acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com representação contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) após o desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, que homenageou o petista em desfile do Grupo Especial do carnaval do Rio de Janeiro.
No documento enviado ao Tribunal, a legenda destaca que, “neste momento” não pretende “responsabilizar os envolvidos, mas preservar e reunir os elementos probatórios necessários para embasar futura ação de investigação judicial eleitoral”.
O texto destaca que as avenidas já serviram para homenagens a líderes políticos – até mesmo ao próprio Lula, que foi enredo da escola de samba Gaviões da Fiel, ligada ao Corinthians, no carnaval paulistano em 2012.
Entretanto, para o partido de Bolsonaro, o desfile da Acadêmicos de Niterói em 2026 “avançou para uma estrutura de financiamento e gestão que confunde, deliberadamente, o público e o privado, com clara conotação eleitoral.”
“O ano de 2026 trouxe um cenário exótico e inédito, em que uma suposta homenagem a um mandatário em exercício, cuja história de vida seria alegadamente narrada pelos olhos de sua mãe, falecida ainda na década de 80, converteu-se em incontestável peça política de promoção e exaltação pessoal da figura de um pré-candidato”, diz o texto protocolado no TSE.
O PL chamou a apresentação de “desfile-comício” e citou ainda “críticas abertas a adversários políticos” – sem mencionar o nome de Bolsonaro, retratado na apresentação como uma figura que remetia ao palhaço Bozo. Sobrou espaço, ainda, para críticas ao gesto do “L” feito com as mãos pela primeira-dama Janja em visita ao barracão da escola.
A Acadêmicos de Niterói, que fazia sua estreia no Grupo Especial, elite da Sapucaí, terminou a disputa na última posição e foi rebaixada para a Série Ouro, a segunda divisão do carnaval carioca.
Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome
Depois de anos bicudos, voltamos a um Brasil minimamente normal. Este novo normal, contudo, segue repleto de incertezas. A ameaça bolsonarista persiste e os apetites do mercado e do Congresso continuam a pressionar o governo. Lá fora, o avanço global da extrema-direita e a brutalidade em Gaza e na Ucrânia arriscam implodir os frágeis alicerces da governança mundial.
CartaCapital não tem o apoio de bancos e fundações. Sobrevive, unicamente, da venda de anúncios e projetos e das contribuições de seus leitores. E seu apoio, leitor, é cada vez mais fundamental.
Não deixe a Carta parar. Se você valoriza o bom jornalismo, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal da revista ou contribua com o quanto puder.
Leia também
Oposição acusa desfile da ‘Acadêmicos de Niterói’ sobre Lula de crime eleitoral; entenda
Por Ana Luiza Sanfilippo
A comemoração de bolsonaristas ao rebaixamento da escola de samba que homenageou Lula
Por CartaCapital



