Justiça
CNJ pede que a polícia forneça imagens de local onde ministro do STJ teria assediado jovem
Os agentes policiais devem entregar as imagens do dia 9 de janeiro existentes na praia do Estaleiro, em Balneário Camboriú, e dos condomínios localizados a 400 metros do local
O Conselho Nacional de Justiça solicitou à Polícia Civil de Santa Catarina, nesta quinta-feira 19, o envio das imagens de câmera de segurança do local onde teria ocorrido o episódio de assédio sexual envolvendo o ministro Marco Buzzi, do Superior Tribunal de Justiça.
A determinação, assinada pelo corregedor nacional de justiça Mauro Campbell Marques, deu prazo de 3 dias para que as informações sobre as imagens sejam remetidas ao CNJ.
O pedido foi feito pela acusação. No entanto, a defesa também tem interesse no material. Os advogados de Buzzi têm dito que registros e testemunhas comprovariam que não houve o assédio.
Os agentes policiais devem enviar as imagens do dia 9 de janeiro gravadas na praia do Estaleiro, em Balneário Camboriú e dos condomínios localizados a 400 metros à esquerda do local.
Nesta data, a filha de uma advogada que era próxima à família de Buzzi diz ter sido assediada pelo ministro dentro do mar. Elas passavam as férias com família e amigos do magistrado.
Segunda a denúncia, a jovem foi para a faixa de areia acompanhada apenas pelo ministro do STJ, pois os pais dela e a esposa do magistrado teriam ficado para trás por compromissos a cumprir. O ministro teria então convidado ela para um banho de mar.
No depoimento, a garota alega que os dois foram para uma área uns 400 metros distante da frente do condomínio em que fica a casa de Buzzi. Quando atingiram uma profundidade que escondia os corpos dos dois na água, o ministro a agarrou pelo braço e a virou de costas, encostando o quadril da jovem no pênis dele.
Ele ainda teria insistido, quando ela tentou escapar. Ao sair da água, ela foi avisada pelo ministro de que poderia ser prejudicada caso contasse o que ocorreu para alguém. A jovem e os pais deixaram a residência logo que ela voltou para a casa dele. O caso foi revelado pela revista Veja.
O caso tramita em três órgãos diferentes. No CNJ, o processo é administrativo, enquanto no Supremo Tribunal Federal é criminal. No STJ também tramita uma sindicância.
Em depoimento, uma segunda suposta vítima alegou ter sido assediada nas dependências do gabinete do ministro, conforme revelou CartaCapital. Até o momento, o ministro ainda não deu depoimento. Os dois casos seguem sob investigação.
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