Bem-Estar

Testes rápidos: entenda até que ponto eles são realmente confiáveis

Nos últimos anos, os testes rápidos se tornaram cada vez mais populares por oferecerem resultados em poucos minutos e maior praticidade no diagnóstico de diversas doenças. Disponíveis em farmácias, unidades de saúde e até para uso domiciliar, eles facilitam o acesso à informação, mas ainda […]

Testes rápidos: entenda até que ponto eles são realmente confiáveis
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Nos últimos anos, os testes rápidos se tornaram cada vez mais populares por oferecerem resultados em poucos minutos e maior praticidade no diagnóstico de diversas doenças. Disponíveis em farmácias, unidades de saúde e até para uso domiciliar, eles facilitam o acesso à informação, mas ainda geram uma dúvida comum: afinal, até que ponto são realmente confiáveis?

Segundo Bruno Godoi, professor do curso de Biomedicina da Faculdade Anhanguera, esses testes são importantes aliados da saúde, mas não devem ser vistos como definitivos. “Eles são desenvolvidos principalmente para triagem, ou seja, para indicar a possível presença ou ausência de uma condição. Por isso, o resultado precisa ser interpretado com cautela”, explica.

O especialista destaca que a maioria dos testes rápidos é do tipo imunocromatográfico e possui caráter qualitativo, ou seja, não mede a quantidade do agente no organismo, apenas indica se ele está presente ou não. “Esses exames costumam identificar antígenos, que são fragmentos do patógeno, ou anticorpos produzidos durante a infecção. Por isso, a eficiência depende diretamente da quantidade detectável no momento do teste”, detalha.

Abaixo, confira os principais fatores que influenciam a confiabilidade dos testes rápidos:

1. Qualidade do produto e armazenamento

A procedência do teste e a forma como ele é armazenado fazem toda a diferença. Produtos vencidos, expostos ao calor ou à umidade podem apresentar falhas no resultado.

2. Forma correta de coleta

A coleta inadequada do material pode comprometer o exame. “Seguir corretamente as instruções é fundamental para evitar erros”, alerta Bruno Godoi.

Mão segurando um teste rápido. Ao fundo, mesa de madeira com objetos brancos desfocados
Exames fora do período indicado podem gerar resultados falso-negativos (Imagem: Anucha Naisuntorn | Shutterstock)

3. Momento da realização do teste

Fazer o exame fora do período indicado pode gerar resultados falso-negativos. “Em alguns casos, a carga do agente causador ainda é muito baixa para ser detectada”, explica o professor.

4. Tipo de exame realizado

É importante verificar se o teste é voltado para antígeno ou anticorpo, já que cada um é indicado para fases diferentes da doença. “Usar o exame fora do momento adequado pode comprometer o diagnóstico”, ressalta.

5. Avaliação do contexto clínico

Nenhum resultado deve ser analisado de forma isolada. Histórico do paciente, sintomas e avaliação profissional são essenciais para um diagnóstico seguro.

O professor também faz um alerta sobre os riscos da automedicação e das decisões baseadas apenas nesses exames. “Um resultado negativo pode gerar falsa sensação de segurança e adiar a procura por atendimento. Já um positivo deve sempre ser confirmado por exames laboratoriais quantitativos, que oferecem maior precisão”, reforça.

Apesar das limitações, os testes rápidos têm um papel fundamental na saúde pública. “Eles facilitam o acesso ao diagnóstico, agilizam as decisões iniciais e contribuem para as políticas públicas. O segredo está em entender seus limites e saber quando buscar confirmação profissional”, conclui Bruno Godoi.

Por Priscila Dezidério

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