Augusto Diniz | Música brasileira

Jornalista há 25 anos, Augusto Diniz foi produtor musical e escreve sobre música desde 2014.

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Hegemonia de enredo afro em escolas de samba tem de continuar, defende sociólogo

Em entrevista a CartaCapital, Tiaraju Pablo analisa os temas das agremiações de Rio de Janeiro e São Paulo

Hegemonia de enredo afro em escolas de samba tem de continuar, defende sociólogo
Hegemonia de enredo afro em escolas de samba tem de continuar, defende sociólogo
Foto: Marcela Midian
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Os enredos que as escolas de samba têm levado ao sambódromo nos últimos anos são marcados por uma hegemonia de temas afros e de causas populares, de acordo com o sociólogo Tiaraju Pablo, em entrevista a CartaCapital.

As escolas de samba, segundo ele, refletem sobre o Brasil, suas raízes e suas contradições. Em meio à polêmica a respeito do excesso ou não de temas afro nos desfiles, ele ressalta a importância de guardar a origem e a essência das escolas — percebe também uma dose de preconceito de críticos que consideram “repetitivos” os enredos de temática negra.

Coordenador do Centro de Estudos Periféricos, ligado à Unifesp, Tiaraju Pablo mantém um olhar bastante atento ao Carnaval, como pesquisador e frequentador do universo do samba. 

O sociólogo aponta outro importante movimento em curso nas agremiações: as homenagens a personalidades. Neste ano, sete das 12 escolas de samba do grupo especial do Rio de Janeiro honram expoentes de dentro e de fora do Carnaval. 

Salgueiro, por exemplo, tem como enredo a carnavalesca Rosa Magalhães, que morreu em 2024. Já o enredo da Unidos da Tijuca é sobre a escritora Carolina Maria de Jesus, autora do clássico livro Quarto de Despejo.

A Imperatriz Leopoldinense e a Mocidade de Padre Miguel levam à avenida as histórias de dois ícones da música brasileira: Ney Matogrosso e Rita Lee, respectivamente. “São pessoas transgressoras, disruptivas, ousadas”, ressalta Pablo.

Com relação à Acadêmicos de Niterói, cujo enredo gira em torno do presidente Lula (PT), o sociólogo afirma que a escolha indica um posicionamento importante. Para ele, a trajetória do petista é uma síntese do Brasil nos séculos XX e XXI.

“Um homem que nasce no Nordeste brasileiro, em uma família pobre, enfrenta a seca e a fome, faz o percurso do retirante para o Sudeste e enfrenta uma série de situações difíceis. Tornou-se um líder operário, um sindicalista e, por fim, um político de projeção.”

Entre os enredos afro no grupo especial do Rio, ele destaca o da Portela, que apresenta o tema afro-gaúcho sobre um líder religioso, o príncipe Custódio Joaquim de Almeida. “Recoloca o verdadeiro lugar da africanidade gaúcha. O príncipe Custódio foi uma pessoa muito importante para construção das religiosidades afro-brasileiras no estado.”

Já as escolas de samba de São Paulo, prossegue o sociólogo, se politizaram nos últimos anos com enredos de crítica social. No grupo especial paulistano, com 14 agremiações, Tiaraju Pablo destaca os temas da Acadêmicos do Tatuapé e da Gaviões da Fiel.

A escola do Tatuapé leva à avenida as lutas sociais pela terra e uma homenagem ao Movimento dos Trabalhadores Sem Terra. Já a Gaviões da Fiel trata das nações indígenas e da importância de defendê-las.

Outros enredos que o sociólogo destaca são o da filósofa e ativista negra Sueli Carneiro, pela Mocidade Unida da Mooca, e o da homenagem ao compositor Paulo César Pinheiro, pela Estrela do Terceiro Milênio. 

Assista à entrevista de Tiaraju Pablo a CartaCapital:

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