Justiça

PGR defende arquivar inquérito contra Zambelli por coação e obstrução

Paulo Gonet avalia que a investigação não aponta atos concretos e que as condutas ficaram ‘no nível da retórica’

PGR defende arquivar inquérito contra Zambelli por coação e obstrução
PGR defende arquivar inquérito contra Zambelli por coação e obstrução
A ex-deputada Carla Zambelli. Foto: Lula Marques/Agência Brasil.
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A Procuradoria-Geral da República enviou ao Supremo Tribunal Federal, na quinta-feira 12, um parecer no qual recomenda encerrar a investigação contra a ex-deputada Carla Zambelli (PL-SP) por tentativa de interferir em processos e inquéritos na Corte. Para o procurador-geral Paulo Gonet, o material reunido não demonstra a concretização das suspeitas.

No documento, Gonet afirma que Zambelli fez declarações públicas e divulgou conteúdos nas redes sociais sugerindo que buscaria apoio fora do País para influenciar autoridades estrangeiras a agir sobre casos no STF, mas que as apurações não encontraram ações práticas nesse sentido.

A investigação começou após a bolsonarista fugir do Brasil em junho de 2025, logo depois de ser condenada pelo STF no caso da invasão a um sistema do Conselho Nacional de Justiça. Entrevistas concedidas por ela naquele período levaram o relator do caso, Alexandre de Moraes, a abrir uma nova apuração para verificar se a então deputada pretendia agir no exterior para pressionar instituições brasileiras ou influenciar o andamento de ações penais relacionadas a investigações sobre organização criminosa.

Durante o inquérito, a Polícia Federal analisou publicações na internet e transferências financeiras de Zambelli. De acordo com a PGR, as mensagens tinham tom político e crítico, mas não provocaram efeitos concretos sobre processos judiciais. As doações por Pix, ainda conforme o parecer, vieram principalmente de apoiadores que responderam a uma campanha divulgada pela investigada.

Na avaliação do procurador-geral, o que foi identificado se restringe a discursos e manifestações públicas. “É verossímil, portanto, que o projeto delituoso tenha se limitado ao nível da retórica, sem significativa exteriorização de atos executórios.”

A PGR concluiu que novas diligências dificilmente mudariam o quadro e, por isso, pediu o arquivamento do inquérito. O órgão ressaltou, porém, que o caso pode voltar a entrar em análise se surgirem novas evidências.

Zambelli permanece presa na Itália desde julho do ano passado e aguarda uma decisão da Justiça local sobre o pedido de extradição apresentado pelo Brasil após a condenação no Supremo.

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