Justiça

O clima da reunião dos ministros do STF que retirou Toffoli da relatoria do Caso Master

O ministro precisou ser convencido por colegas de que este era o momento ideal para largar o processo. André Mendonça foi sorteado como o novo relator

O clima da reunião dos ministros do STF que retirou Toffoli da relatoria do Caso Master
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Foto: Victor Piemonte/STF
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O ministro Dias Toffoli resistiu e precisou ser convencido por colegas de Supremo Tribunal Federal de que a melhor decisão, neste momento, era deixar a relatoria do caso Master. A saída foi definida na noite de quinta-feira 12, quando os dez ministros se reuniram para tratar do caso e, de forma unânime, concordaram com a redistribuição do processo.

Conforme apurou CartaCapital, a reunião começou com Edson Fachin pontuando cada elemento apresentado pela Polícia Federal no relatório entregue no início da semana à Presidência do Tribunal. Enfatizou, durante toda a exposição, os pontos que indicavam que Toffoli mantinha um relacionamento com Daniel Vorcaro, ex-CEO do Banco Master.

Junto às explicações, Fachin entregou uma cópia do documento de mais de 200 páginas para cada um dos ministros. O documento, lacrado em um envelope, ficou sob a posse dos magistrados.

Esse mesmo relatório, convém lembrar, motivou a abertura de uma arguição de suspeição, sugerida pela PF, para que a Procuradoria-Geral da República se manifestasse sobre um possível impedimento de Toffoli para atuar no processo, o que seria levado a plenário posteriormente. O arguição foi extinta após a saída de Toffoli.

Toffoli, após ouvir as explicações de Fachin, teria insistido não ver qualquer conflito de interesses que o impedisse de seguir como relator do caso Master. Foi, por fim, convencido pelos colegas de que a saída aliviaria a pressão em torno do tema, que respingaria, em última instância, na imagem do tribunal.

Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes que chegaram a fazer coro, em determinado momento, a favor de Toffoli também cederam durante a reunião. O decano da Corte, desde o início da semana, se mostrava incomodado e dizia que estava na hora de ‘virar a página’ de uma história que tinha ‘ido longe demais’. Moraes foi menos enfático, mas também acabou se posicionando a favor da mudança de relator.

Por sorteio, o caso passou para as mãos de André Mendonça.

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