Justiça
Fux pede vista e suspende julgamento que pode tornar Washington Reis elegível
O resultado da votação no STF pode impactar o tabuleiro político no Rio de Janeiro em ano eleitoral
O ministro do Supremo Tribunal Federal Luiz Fux pediu vista e interrompeu, nesta quarta-feira 11, o julgamento de um recurso do ex-prefeito de Duque de Caxias (RJ) Washington Reis contra sua condenação a sete anos, dois meses e 15 dias de reclusão.
Em 2016, a Segunda Turma condenou Reis por provocar danos ambientais ao determinar a execução de um loteamento na zona de amortecimento da Reserva Biológica do Tinguá. Os delitos, previstos na Lei de Crimes Ambientais e na Lei sobre Parcelamento do Solo Urbano, ocorreram no primeiro mandato de Reis na prefeitura.
O ex-prefeito busca por meio do recurso derrubar a condenação e reverter sua inelegibilidade. O julgamento da nova apelação começou no ano passado, quando o relator, Flávio Dino, votou por manter a sentença. Os ministros Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin acompanharam Dino, enquanto André Mendonça divergiu e votou pela absolvição do ex-prefeito. Na ocasião, Gilmar pediu vista e suspendeu a votação.
Na retomada do julgamento, nesta quarta, Gilmar seguiu Dino. O decano também rechaçou a solicitação da defesa para remeter novamente o caso à Procuradoria-Geral da República a fim de avaliar um possível acordo de não persecução penal.
Dias Toffoli se declarou suspeito e não participa do julgamento. Além de Fux, restam os votos dos ministros Kassio Nunes Marques, Cármen Lúcia e Edson Fachin.
A eventual reversão da condenação teria reflexos diretos no cenário político do Rio de Janeiro. Inelegível, Reis ficou fora da eleição de 2022 e viu sua pré-candidatura ao governo estadual perder força. Caso recupere os direitos políticos, poderá disputar cargos majoritários e influenciar a reorganização das alianças para o pleito de outubro, em um quadro já marcado por disputas internas e rearranjos no grupo político ligado ao governo de Claudio Castro (PL).
Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome
Depois de anos bicudos, voltamos a um Brasil minimamente normal. Este novo normal, contudo, segue repleto de incertezas. A ameaça bolsonarista persiste e os apetites do mercado e do Congresso continuam a pressionar o governo. Lá fora, o avanço global da extrema-direita e a brutalidade em Gaza e na Ucrânia arriscam implodir os frágeis alicerces da governança mundial.
CartaCapital não tem o apoio de bancos e fundações. Sobrevive, unicamente, da venda de anúncios e projetos e das contribuições de seus leitores. E seu apoio, leitor, é cada vez mais fundamental.
Não deixe a Carta parar. Se você valoriza o bom jornalismo, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal da revista ou contribua com o quanto puder.
Leia também
Campanha de boicote é liberdade de expressão, decide o STF
Por Maiara Marinho
TJSP vai ao STF para anular decisão que suspende penduricalhos ilegais
Por Agência Brasil
Tarcísio faz reuniões em série no STF para discutir dívida de São Paulo com a União
Por Maiara Marinho



