Justiça
Mendonça não decidirá sobre habeas corpus que pede a liberdade de Bolsonaro
O ministro enviou os autos à presidência do STF, que deve redistribuir o caso à ministra Cármen Lúcia
O ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça não decidirá sobre um novo habeas corpus protocolado em prol de Jair Bolsonaro (PL), condenado a 27 anos e três meses de prisão por liderar a tentativa de golpe de Estado.
Mendonça, designado relator do pedido na terça-feira 10, remeteu os autos à presidência da Corte nesta quarta 11. A explicação é que diversas solicitações semelhantes apresentadas nas últimas semanas foram distribuídas à ministra Cármen Lúcia, que já havia expedido decisões sobre o tema. É a chamada escolha de relator por prevenção.
O autor do pedido que parou na mesa de Mendonça é um advogado do Rio de Janeiro que não integra a defesa do ex-presidente. Leonel Kimus Esteves diz no documento se tratar de um habeas corpus preventivo e critica uma suposta prisão cautelar de Bolsonaro — embora o ex-capitão, ao contrário do que sustenta o advogado, já cumpra a pena decorrente de sua condenação na trama golpista.
Várias solicitações semelhantes fracassaram no Supremo. Na segunda-feira 9, Cármen rejeitou de uma vez cinco habeas corpus para Bolsonaro, sob o argumento de que a Corte não aceita esse instrumento contra atos de um de seus ministros — os HCs miram decisões de Alexandre de Moraes.
Jair Bolsonaro está desde 15 de janeiro no Complexo Penitenciário da Papuda, em um local conhecido como Papudinha. Até então, cumpria a pena na Superintendência da Polícia Federal.
Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome
Depois de anos bicudos, voltamos a um Brasil minimamente normal. Este novo normal, contudo, segue repleto de incertezas. A ameaça bolsonarista persiste e os apetites do mercado e do Congresso continuam a pressionar o governo. Lá fora, o avanço global da extrema-direita e a brutalidade em Gaza e na Ucrânia arriscam implodir os frágeis alicerces da governança mundial.
CartaCapital não tem o apoio de bancos e fundações. Sobrevive, unicamente, da venda de anúncios e projetos e das contribuições de seus leitores. E seu apoio, leitor, é cada vez mais fundamental.
Não deixe a Carta parar. Se você valoriza o bom jornalismo, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal da revista ou contribua com o quanto puder.
Leia também
Bolsonaro se inspira em Collor para tentar deixar a Papudinha
Por CartaCapital
A nova tentativa de Bolsonaro de convencer Moraes a autorizar prisão domiciliar humanitária
Por CartaCapital
Justiça nega pedido de Damares para vetar críticas a Bolsonaro em desfile de Carnaval sobre Lula
Por CartaCapital



