Justiça
Ação do MPF pede o bloqueio de R$ 1 bilhão da Vale por vazamentos em Minas Gerais
O órgão também quer que a Justiça proíba a companhia de transferir a mina para outra empresa antes de solucionar o caso
O Ministério Público Federal pediu, na sexta-feira 30, que a Vale seja condenada a pagar uma indenização de 1 bilhão de reais pelo recentes vazamentos de água em minas localizadas nas cidades de Ouro Preto e Congonhas, em Minas Gerais.
A ação encaminhada à Justiça em caráter de urgência também pede que a mineradora seja obrigada a interromper as atividades nos locais. “A medida decorre do extravasamento de aproximadamente 262 mil metros cúbicos de água e sedimentos, ocorrido em 25 de janeiro de 2026, causando danos ambientais significativos em córregos que alimentam o Rio Maranhão e o Rio Paraopeba”, explica o MPF em nota.
A companhia, convém registrar, já foi multada em 1,7 milhão de reais pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável do Governo de Minas Gerais. As atividades nos locais do vazamento também foram suspensas pelo poder público até que se comprove a eliminação dos riscos ambientais.
A fiscalização feita pelo governo local nas minas constatou falhas no sistema de drenagem, com vazamento extremo de água com sedimentos, atingindo áreas externas da empresa. Além do acúmulo de terra no Rio Maranhão e nos córregos Ponciana e Água Santa.
Segundo o MPF, embora a Vale tivesse autorização para depositar rejeitos no local temporariamente, a licença proibia a construção de barragens dentro da cava. Para o órgão, a empresa teria descumprido a regra ao utilizar uma estrada de acesso interno como se fosse um barramento para segurar o volume de água e rejeitos. “Como essa via não foi projetada para suportar tal pressão, ela colapsou após o acúmulo de chuvas, liberando uma onda de lama e água sobre o meio ambiente e atingindo até escritórios de um empreendimento minerário vizinho”, descreve o MPF.
A ação apresentada nesta sexta também argumenta que a mineradora teria sido negligente ao demorar cerca de 10 horas para comunicar as autoridades sobre o vazamento. “Esse atraso é grave porque impede que a Defesa Civil tome medidas rápidas para proteger a vida das pessoas e o ecossistema”, argumentam os procuradores.
A Vale ainda não foi notificada da ação.
Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome
Depois de anos bicudos, voltamos a um Brasil minimamente normal. Este novo normal, contudo, segue repleto de incertezas. A ameaça bolsonarista persiste e os apetites do mercado e do Congresso continuam a pressionar o governo. Lá fora, o avanço global da extrema-direita e a brutalidade em Gaza e na Ucrânia arriscam implodir os frágeis alicerces da governança mundial.
CartaCapital não tem o apoio de bancos e fundações. Sobrevive, unicamente, da venda de anúncios e projetos e das contribuições de seus leitores. E seu apoio, leitor, é cada vez mais fundamental.
Não deixe a Carta parar. Se você valoriza o bom jornalismo, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal da revista ou contribua com o quanto puder.



