Justiça
Caminhadas, mas nada de leitura: a rotina de Bolsonaro na Papudinha
A Polícia Militar do Distrito Federal encaminhou o relatório ao ministro do STF Alexandre de Moraes
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) já caminhou mais de cinco horas desde que foi transferido para a Papudinha, no Complexo Penitenciário da Papuda, em 15 de janeiro, segundo um relatório encaminhado nesta sexta-feira 30 pela Polícia Militar do Distrito Federal ao ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes.
O documento contempla o período entre 15 e 27 de janeiro e reúne, em ordem cronológica, os registros sobre atendimentos médicos, visitas, atividades físicas e demais procedimentos realizados pela PM.
Bolsonaro ainda não leu qualquer livro como parte do programa para reduzir a pena por meio de leituras, apesar de Moraes ter autorizado seu ingresso nessa iniciativa. O ex-capitão cumpre na Papudinha a sentença de 27 anos e três meses de prisão por liderar a tentativa de golpe de Estado.
O programa de diminuição de pena, conduzido pela Secretaria de Administração Penitenciária do DF, realiza 11 ciclos por ano, cada um com duração de aproximadamente 30 dias. Nesse período, o preso deve retirar o livro, ler a obra, elaborar uma resenha e submetê-la à avaliação de uma comissão. A cada leitura validada, obtém a redução de até quatro dias da pena.
O relatório da PM também aponta que o ex-presidente recebeu atendimentos médicos praticamente todos os dias, realizados tanto por profissionais da Secretaria de Saúde do DF quanto por médicos particulares. As consultas consistiram, em sua maioria, em avaliações clínicas de rotina, com monitoramento de sinais vitais e acompanhamento preventivo do estado geral de saúde.
A corporação também registrou sessões de fisioterapia e atividades físicas supervisionadas, principalmente caminhadas. Em alguns dias, Bolsonaro chegou a realizar mais de um período de caminhada; em outros, não houve atividade física, de acordo com os controles da unidade.
A rotina descrita no material ainda formaliza a frequente presença dos advogados do ex-capitão, com atendimentos que chegam a duas horas, além de visitas familiares. Houve também o registro pontual de assistência religiosa, com a participação de pastor em dois dias.
De acordo com a PM-DF, todos os procedimentos seguiram as normas legais, administrativas e operacionais.
Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome
Depois de anos bicudos, voltamos a um Brasil minimamente normal. Este novo normal, contudo, segue repleto de incertezas. A ameaça bolsonarista persiste e os apetites do mercado e do Congresso continuam a pressionar o governo. Lá fora, o avanço global da extrema-direita e a brutalidade em Gaza e na Ucrânia arriscam implodir os frágeis alicerces da governança mundial.
CartaCapital não tem o apoio de bancos e fundações. Sobrevive, unicamente, da venda de anúncios e projetos e das contribuições de seus leitores. E seu apoio, leitor, é cada vez mais fundamental.
Não deixe a Carta parar. Se você valoriza o bom jornalismo, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal da revista ou contribua com o quanto puder.
Leia também
Lula, Motta e Alcolumbre devem ir à abertura dos trabalhos no STF
Por Maiara Marinho
STF não julgará ação contra regras de renovação automática da CNH
Por Maiara Marinho



