Justiça

União é condenada a indenizar em R$ 150 mil professora torturada grávida pela ditadura militar

Em 1968, ela foi presa e torturada com choques elétricos, sessões de pau de arara, espancamento, violência moral e chutes no abdômen

União é condenada a indenizar em R$ 150 mil professora torturada grávida pela ditadura militar
União é condenada a indenizar em R$ 150 mil professora torturada grávida pela ditadura militar
Foto: Reprodução
Apoie Siga-nos no

A 35a Vara Federal do Rio de Janeiro condenou a União ao pagamento de 150 mil reais de indenização por danos morais a Regina Maria Toscano Pereira com o objetivo de reparar os sofrimentos causados a ela durante a ditadura militar. A União ainda pode recorrer da decisão.

De acordo com a vítima, ela passou a ser perseguida pelo Estado brasileiro em 1968, quando era vice-presidente do diretório acadêmico da Faculdade de Filosofia da Universidade Estadual do Rio Janeiro.

A partir deste período, ela passou a ser alvo direto do aparato de repressão política do governo militar, com acusações de subversão e monitoramento pelas forças de segurança do regime.

Regina chegou a ter seu nome inserido em registros do Departamento de Ordem Política e Social, órgão do regime militar. Em 1970, quando estava grávida e em recuperação de cirurgia, ela alega que foi presa de forma violenta, sendo submetida a sessões de tortura no DOI-CODI.

Ela sofreu choques elétricos, sessões de pau de arara, espancamento, violência moral e chutes no abdômen, que resultaram na perda do bebê. Posteriormente, Regina teve outro filho, que nasceu com sequelas neurológicas, as quais ela associa à tortura que sofreu.

No processo, a União disse que a indenização por danos morais não seria devida porque a autora já tinha recebido uma reparação econômica por sua condição de anistiada política, concedida pela Comissão de Anistia.

A juíza Karen Lais Leite de Arruda disse que o argumento “não se sustenta”, uma vez que a “reparação econômica realizada pela União não se confunde com a reparação por danos morais, pois possuem natureza diversa”, escreveu na decisão.

Para a magistrada, a indenização oferecida pela Comissão de Anistia comprova os danos causados à vítima. Além disso, ficou provado que Regina foi alvo de um inquérito policial no período relatado.

ENTENDA MAIS SOBRE: , , ,

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo

Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome

Depois de anos bicudos, voltamos a um Brasil minimamente normal. Este novo normal, contudo, segue repleto de incertezas. A ameaça bolsonarista persiste e os apetites do mercado e do Congresso continuam a pressionar o governo. Lá fora, o avanço global da extrema-direita e a brutalidade em Gaza e na Ucrânia arriscam implodir os frágeis alicerces da governança mundial.

CartaCapital não tem o apoio de bancos e fundações. Sobrevive, unicamente, da venda de anúncios e projetos e das contribuições de seus leitores. E seu apoio, leitor, é cada vez mais fundamental.

Não deixe a Carta parar. Se você valoriza o bom jornalismo, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal da revista ou contribua com o quanto puder.

Leia também

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo