Justiça

Erika Hilton aciona AGU contra fake news que atribui transfobia a Lula

Deputada afirma que bolsonaristas distorceram fala do presidente, que se referia à deputada Elika Takimoto, e pede a remoção de conteúdos falsos

Erika Hilton aciona AGU contra fake news que atribui transfobia a Lula
Erika Hilton aciona AGU contra fake news que atribui transfobia a Lula
A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) e o presidente Lula (PT). Fotos: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados e Ricardo Stuckert/PR
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A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) protocolou nesta segunda-feira 19 um pedido para que a Advocacia-Geral da União adote medidas contra a circulação de conteúdos que atribuem falsamente ao presidente Lula (PT) a prática do crime de transfobia. 

Segundo a congressista, publicações nas redes sociais e em sites alinhados à extrema-direita distorceram um trecho do discurso do presidente durante um evento oficial no Rio de Janeiro, gerando uma onda coordenada de ataques e fake news.

A controvérsia surgiu depois de um discurso de Lula na Casa da Moeda, na sexta-feira 16, durante a celebração dos 90 anos do salário mínimo. O presidente tratava dos riscos da inteligência artificial, especialmente para mulheres, quando usou o pronome masculino ao se referir à deputada estadual Elika Takimoto (PT-RJ), que estava sentada na plateia. Elika é uma mulher cis.

“Eles são capazes de tirar uma foto sua, sentada do jeito que você está aqui, e colocar você pelada no celular. É isso que é inteligência artificial. Ele é capaz de tirar uma foto da Erika, vestidinha do jeito que ele (sic) tá, com a perna cruzada, e amanhã aparecer no celular a Erika sentada pelada aqui”, disse Lula.

No vídeo completo, Lula olha e se dirige diretamente a Elika Takimoto. A própria deputada publicou o registro em suas redes, confirmando que o comentário era dirigido a ela e denunciando o uso descontextualizado do trecho como parte de um ataque transfóbico a Erika Hilton.

Dois dias após o discurso, políticos e influenciadores da extrema-direita, entre eles Eduardo Bolsonaro (PL-SP), Nikolas Ferreira (PL-MG) e o vereador paulista Rubinho Nunes (União Brasil), passaram a associar o trecho à deputada federal. Publicações insinuaram que Lula teria usado o pronome masculino para se referir à congressista, que não estava presente no evento e encontrava-se no interior de São Paulo.

As postagens cobraram que Erika Hilton se manifestasse e acusaram o presidente de transfobia. Em algumas páginas, o conteúdo foi apresentado como se Lula tivesse se dirigido especificamente à deputada do PSOL, mesmo sem qualquer registro visual ou factual que sustentasse essa relação.

Segundo Erika Hilton, a narrativa falsa atingiu milhões de visualizações e gerou uma nova onda de ataques transfóbicos direcionados a ela.

O pedido à AGU

No ofício encaminhado ao advogado-geral da União, Jorge Messias, Erika afirma que houve “desinformação deliberada e calúnia” com potencial para prejudicar a imagem do presidente e ampliar a polarização política.

O documento pede que a AGU investigue possível coordenação entre perfis e páginas que divulgaram a narrativa falsa; responsabilize civil e criminalmente os envolvidos; solicite a retratação pública dos autores; peça a remoção das publicações pelas plataformas digitais; e comunique à Secom sobre a existência do que a deputada classifica como “rede de desinformação”.

“Evidentemente que o Sr. Presidente não praticou transfobia, muito menos contra a Deputada Federal Erika Hilton, uma vez que ela nem estava presente à cerimônia, e ele inquestionavelmente se referia a uma ‘Erika’ presente na plateia”, diz o texto.

A deputada estadual Elika Takimoto, mencionada por Lula no evento, também se pronunciou. Ela confirmou que o presidente se dirigia a ela, criticou a manipulação do vídeo e disse que a desinformação disseminada contra Erika Hilton constitui um “movimento coordenado e transfóbico”.

Elika publicou o trecho completo do discurso e afirmou que foi escolhida como exemplo durante a fala de Lula sobre os riscos da inteligência artificial, negando qualquer relação com a deputada do PSOL.

A AGU ainda não se manifestou publicamente sobre o pedido.

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