Justiça

Advogado-geral da Petrobras desponta para substituir Lewandowski na Justiça

O presidente deve anunciar nesta semana o nome Wellington César e enterra, ao menos por ora, a ideia de fatiar a pasta

Advogado-geral da Petrobras desponta para substituir Lewandowski na Justiça
Advogado-geral da Petrobras desponta para substituir Lewandowski na Justiça
Wellington César Lima e Silva. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
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O presidente Lula (PT) deve anunciar, nos próximos dias, o substituto de Ricardo Lewandowski no Ministério da Justiça e Segurança Pública. Entre os nomes cotados, o do advogado-geral da Petrobras, Wellington César Lima e Silva, ganhou mais força nesta semana.

Lula tem reiterado a interlocutores que não vai fatiar a pasta, apesar das pressões internas. A possibilidade de recriar o Ministério da Segurança Pública voltou ao radar desde a saída de Lewandowski, mas o presidente avalia que a separação das estruturas, neste momento, traria mais riscos do que benefícios, especialmente às vésperas de ano eleitoral e sem garantia de orçamento ou atribuições claras.

Quem é Wellington César

Baiano de 60 anos, Wellington César, é visto como um nome de confiança pessoal do presidente. Ele comandou a Secretaria de Assuntos Jurídicos da Presidência entre 2023 e 2024, período em que despachava quase diariamente com Lula. Sua ida para a Petrobras, no segundo semestre de 2024, também foi uma escolha direta do núcleo presidencial.

A força de sua candidatura é reforçada pelo respaldo da chamada “ala baiana” do governo — grupo que reúne Jaques Wagner, Rui Costa e Sidônio Palmeira. Todos defendem abertamente seu nome.

Em março de 2016, durante o governo Dilma Rousseff (PT), Wellington César chegou a assumir o comando da Justiça, mas permaneceu apenas 11 dias no cargo. À época, o Supremo Tribunal Federal decidiu que membros do Ministério Público não poderiam ocupar funções no Executivo sem se desligar da carreira. Wellington optou por permanecer no MP da Bahia, onde se aposentaria anos depois, em 2023.

Sua trajetória no MPBA é longa: foi promotor, procurador e procurador-geral por dois mandatos. Tem mestrado em ciências criminais e doutorado em direito penal e criminologia.

Quem são os outros cotados

Embora Wellington seja apontado como favorito, outros nomes ainda despontam nas discussões internas:

  • Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal;
  • Vinicius Marques de Carvalho, ministro da Controladoria-Geral da União, e;
  • Rodrigo Pacheco (PSD-MG), ex-presidente do Senado.

Apesar disso, auxiliares presidenciais reforçam que Wellington deve ser o escolhido, com anúncio esperado ainda nesta semana.

E o Ministério da Segurança Pública?

Apesar de uma ala do governo defender a criação de um Ministério da Segurança Pública, Lula considera a medida arriscada. O presidente avalia que sem a aprovação da PEC da Segurança Pública, faltariam diretrizes claras para a nova pasta; a estrutura poderia nascer sem orçamento suficiente, tornando-se politicamente inócua; e criar um ministério adicional em ano eleitoral poderia ser interpretado como movimento apenas simbólico.

Lula chegou a dizer, em reunião ministerial, que ficaria “desmoralizado” se abrisse uma pasta sem recursos adequados.

Enquanto a decisão não é formalizada, o ministério é comandado interinamente por Manoel Carlos de Almeida Neto, secretário-executivo da gestão Lewandowski.

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