Justiça
Quem é Manoel Carlos Almeida Neto, interino que assume o Ministério da Justiça após saída de Lewandowski
O principal auxiliar do agora ex-ministro assumirá o comando da pasta enquanto Lula decide o substituto
Com a saída formalizada de Ricardo Lewandowski do Ministério da Justiça e Segurança Pública, o comando da pasta passa a ser exercido interinamente pelo secretário-executivo Manoel Carlos de Almeida Neto. Considerado o número 2 do ministério e colaborador próximo do agora ex-ministro, ele assume a chefia enquanto o presidente Lula (PT) avalia os nomes para a sucessão.
A escolha de Manoel Carlos segue o protocolo tradicional do governo: o secretário-executivo responde administrativamente pela pasta sempre que há ausência do ministro ou transição. Integrantes do MJSP afirmam que a equipe de Lewandowski deve permanecer em seus cargos até que Lula defina o novo titular, movimento pensado para garantir continuidade.
Antes de assumir a secretaria-executiva na pasta, Manoel Carlos foi diretor jurídico da Companhia Siderúrgica Nacional por oito anos. Também atuou como procurador-geral municipal, secretário-geral do Tribunal Superior Eleitoral e, a partir de 2014, tornou-se secretário-geral do Supremo Tribunal Federal. Nesse período, trabalhou diretamente com Lewandowski, então ministro da Corte.
O interino é também advogado, tendo feito doutorado e pós-doutorado em direito na Universidade de São Paulo (USP). O mestrado em direito público, segundo seu perfil oficial, foi feito na Universidade Federal da Bahia (UFBA) em cooperação com a Universidade de Brasília (UnB).
A saída de Lewandowski
Confirmada após a entrega de uma carta de demissão a Lula, a saída de Lewandowski abre uma disputa interna pela sucessão em um dos ministérios mais estratégicos do governo. O agora ex-ministro vinha sinalizando a interlocutores que deixaria o cargo até esta sexta-feira 9, apesar do pedido do presidente para que permanecesse até o fim do mês.
Lewandowski acumulou atritos políticos, sobretudo pela demora na tramitação da PEC da Segurança, principal bandeira de sua gestão. O texto, após concluído pelo Ministério da Justiça, ficou meses parado na Casa Civil e foi, posteriormente, desfigurado pelo Congresso Nacional.
A ideia de criação de uma secretaria extraordinária para coordenar ações de segurança pública também teria ampliado um incômodo com a percepção de esvaziamento da pasta.
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