Justiça
PGR diz que investigação não provou que dinheiro na cueca de senador era ilegal
Paulo Gonet pediu o arquivamento da apuração contra o senador Chico Rodrigues (PSB-RR)
O procurador-geral da República Paulo Gonet pediu ao Supremo Tribunal Federal, em 28 de dezembro, o arquivamento de investigação contra o senador Chico Rodrigues (PSB-RR), pego com quase 18 mil reais em espécie na cueca durante uma operação da Polícia Federal. A manifestação foi encaminhada ao ministro Flávio Dino, relator da apuração na Corte.
No documento, Gonet sustentou que a investigação da PF não comprovou a origem ilícita do dinheiro apreendido na casa de Rodrigues, “tanto aqueles localizados em cofres quanto os encontrados em suas vestes íntimas”. Além do dinheiro vivo, os agentes encontraram uma pepita de ouro, armas de fogo, munições e 6 mil dólares em um cofre no quarto do pessebista.
“No que se refere aos valores em espécie apreendidos na residência do Senador da República, durante o cumprimento das diligências de busca e apreensão realizadas em 14.10.2020 — tanto aqueles localizados em cofres quanto os encontrados em suas vestes íntimas —, não se logrou demonstrar a proveniência ilícita do numerário”.
Os advogados de Rodrigues afirmaram, à época, que os recursos não eram fruto de desvio de dinheiro. O parlamentar disse que escondeu o dinheiro nas partes íntimas devido ao “pânico” e que precisou buscar ajuda psiquiátrica para superar o ocorrido.
A batida policial ocorreu em 2020, durante a apuração de um suposto desvio de recursos da saúde durante a pandemia de Covid-19. De acordo com a corporação, empresas seriam contratadas por indicação do próprio parlamentar e com sobrepreço em Roraima, estado do qual foi governador entre 2011 e 2014.
O representante da PGR também argumentou que o crime de lavagem de dinheiro não foi comprovado e considerou não haver conexão entre os fatos investigados com o exercício do mandato, defendendo que o caso seja enviado à Justiça Federal em Roraima. Se o pedido for acatado, Rodrigues responderá por suposta advocacia administrativa para favorecer a empresa Haiplan Construções, Comércio e Serviços na compra de máscaras durante a emergência sanitária.
Sobre as suspeitas em torno de supostos desvios na compra de kits de testes contra Covid pelo governo de Roraima, o PGR disse que as informações coletadas apontaram que os valores das emendas parlamentares indicadas pelo senador sequer foram empenhados para essas aquisições. “O acervo probatório não revelou quadro indiciário mínimo que associe o parlamentar à condução, interferência ou direcionamento concreto dos procedimentos administrativos examinados”.
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