Justiça
Justiça manda pastor influencer remover vídeo que liga o PT a facções criminosas
Para magistrada, Rafael Nery ‘extrapolou seu direito de liberdade de expressão e de manifestação de pensamento’
A juíza Thaissa Guimarães, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios, mandou o pastor evangélico e influenciador Rafael Nery excluir de seus perfis nas redes sociais um vídeo no qual afirma, sem provas, que o PT é “o grande patrocinador” das facções Comando Vermelho e Primeiro Comando da Capital. A ordem foi divulgada nesta quarta-feira 19.
Nery publicou o conteúdo em 28 de outubro, dia em que uma operação policial nos complexos da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro, deixou 121 mortos. O influencer tem quase 3,5 milhões de seguidores no Instagram, rede em que a postagem sobre o PT já recebeu quase 400 mil curtidas.
Na decisão, Guimarães fixou multa diária de 500 reais, até um total de 500 mil, em caso de não remoção do vídeo.
Para a juíza, o pastor “extrapolou seu direito de liberdade de expressão e de manifestação de pensamento, não tendo ele, ao proferir suas alegações, citado provas da alegada ligação do autor com o Comando Vermelho e com o PCC”.
Guimarães concedeu a liminar em uma das ações movidas pelo PT contra expoentes bolsonaristas que, nas últimas semanas, inundaram as redes sociais com alegações sobre o partido e o crime organizado. A legenda pediu indenização de 30 mil reais por danos morais, mas a demanda ainda não foi analisada.
No início de novembro, uma decisão da 5ª Vara Cível do DF mandou o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) deletar publicações de teor semelhante. Outros deputados foram acionados judicialmente, a exemplo dos bolsonaristas Bia Kicis (DF), Gustavo Gayer (GO) e Carlos Jordy (RJ), todos do PL.
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