Justiça

Deputado federal atuava para blindar esquema de fraudes no INSS de investigações, aponta PF

O deputado federal Euclydes Pettersen Neto (Republicanos-MG) faria parte do ‘núcleo político’ do esquema, segundo as investigações

Deputado federal atuava para blindar esquema de fraudes no INSS de investigações, aponta PF
Deputado federal atuava para blindar esquema de fraudes no INSS de investigações, aponta PF
Sessão deliberativa destinada à deliberação de Vetos. Dep. Euclydes Pettersen (PSC - MG) - Luis Macedo/Câmara dos Deputados
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Alvo de busca e apreensão pela Polícia Federal nesta quinta-feira 13, o deputado federal Euclydes Pettersen Neto (Republicanos-MG) foi mencionado nas investigações sobre as fraudes no INSS como integrante do ‘núcleo político’ do esquema de descontos ilegais em aposentadorias.

Esse grupo era responsável, de acordo com a PF, por “garantir” a manutenção dos acordos firmados entre entidades sindicais e a autarquia e por blindar os suspeitos de “investigações externas”. O núcleo, ainda conforme as apurações, “era composto por parlamentares e assessores, e seu objetivo central era garantir a manutenção do Acordo de Cooperação Técnica junto ao INSS e proteger o grupo de investigações externas”.

As conclusões constam da decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, que embasou a nova fase da Operação Sem Desconto. Além de ter seus endereços vasculhados por policiais, Pettersen também passou a ser monitorado por tornozeleira eletrônica.

Os investigadores da PF o descreveram como “a pessoa melhor paga na lista de propina”. Ele é denominado como “Herói E” nas planilhas apreendidas ao longo da apuração. Consta ainda que ele recebia valores mensais fixos, repassados por meio de empresas controladas por Cícero Marcelino de Souza Santos, ex-procurador-geral do INSS, e seu assessor André Luiz Martins Dias. Um repasses, no valor de 14,7 milhões, teria ocorrido por meio de uma loteria e uma construtora.

A investigação já tinha apontado Pettersen como porta-voz político da Conafer, a Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais do Brasil, uma das entidades que mais teria lucrado com o esquema.

De acordo com a PF, o deputado também teria vendido uma aeronave ao presidente do Instituto Terra e Trabalho, uma ONG ligada à Conafer, ao mesmo tempo em que destinou emendas parlamentares à entidade. Suspeita-se que parte da verba pública enviada por ele tenha sido redirecionada, por meio de fraudes em licitação, para empresas ligadas à própria confederação.

Em nota, o parlamentar afirmou que “apoia integralmente o trabalho das autoridades competentes” e se coloco “à inteira disposição para prestar todos os esclarecimentos necessários”. “Acredito na justiça, na verdade e na importância das investigações sérias, conduzidas dentro da legalidade e com total transparência”, finalizou.

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