Justiça

Moraes interrompe julgamento sobre reajuste de planos de saúde por idade

O STF discute a aplicação do Estatuto da Pessoa Idosa a contratos antigos. O caso impacta milhares de consumidores e operadoras no País

Moraes interrompe julgamento sobre reajuste de planos de saúde por idade
Moraes interrompe julgamento sobre reajuste de planos de saúde por idade
Ministro Alexandre de Moraes, durante sessão plenária do STF. Foto: Fellipe Sampaio /STF
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O ministro Alexandre de Moraes pediu vista e interrompeu, nesta quarta-feira 5, o julgamento da ADC 90 no Supremo Tribunal Federal. A ação discute se um artigo do Estatuto da Pessoa Idosa, que proíbe reajustes em planos de saúde baseados na idade do beneficiário, pode ser aplicado também a contratos firmados antes da entrada em vigor da lei, em 30 de dezembro de 2003.

O julgamento havia sido retomado com a leitura do voto-vista do ministro Flávio Dino, que acompanhou o relator, ministro Dias Toffoli, pela constitucionalidade da norma, mas propôs uma modulação de efeitos para que a aplicação ocorra apenas de forma prospectiva, sem retroatividade. Ele diverge, porém, quanto ao alcance.

Para Dino, a norma incide também sobre planos antigos, alcançando todos os contratos, inclusive os firmados antes de 2003. O ministro explicou que apenas os efeitos financeiros seriam modulados – não haveria “atrasados” a serem pagos em favor dos idosos, e a redução das mensalidades se daria apenas para o futuro. Dino defendeu que todos os reajustes diferenciados feitos no passado, em desacordo com o Estatuto, sejam revistos pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), que deverá recalcular os valores e aplicar as novas regras.

A ADC 90 é julgada em conjunto com o Recurso Extraordinário 630.852, no qual a maioria dos ministros já se manifestou pela possibilidade de aplicar o Estatuto também a contratos antigos, especialmente quando renovados após 2003. O presidente do STF, Edson Fachin, decidiu aguardar o desfecho da ADC para harmonizar os entendimentos e proclamar um resultado único.

A conclusão do caso é aguardada com expectativa por consumidores e pelo setor de saúde suplementar. A decisão do Supremo deverá definir se planos de saúde poderão manter reajustes por faixa etária em contratos antigos e de que forma as novas regras serão aplicadas, com impacto direto sobre a proteção aos idosos e o equilíbrio econômico das operadoras.

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