Política

Assessor de Ibaneis pede demissão após sanção de lei que cria ‘Dia em Memória das Vítimas do Comunismo’

Em carta enviada ao governador, Bartolomeu Rodrigues classificou a iniciativa como um ato de revisionismo histórico

Assessor de Ibaneis pede demissão após sanção de lei que cria ‘Dia em Memória das Vítimas do Comunismo’
Assessor de Ibaneis pede demissão após sanção de lei que cria ‘Dia em Memória das Vítimas do Comunismo’
O jornalista Bartolomeu Rodrigues chefiava a Assessoria Institucional do governo do Distrito Federal- Renato Araújo/Agência Brasília
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Bartolomeu Rodrigues, chefe da Assessoria Institucional do governo do Distrito Federal, pediu demissão do cargo nesta sexta-feira 24 em reação à sanção, pelo governador Ibaneis Rocha (MDB), de uma lei que cria o ‘Dia em Memória das Vítimas do Comunismo’.

A nova data comemorativa, a ser celebrada em 4 de junho, estabelece que “na semana da data comemorativa, o poder público pode organizar atividades que proporcionem reflexão acerca dos danos à humanidade causados pelas ditaduras comunistas ao longo da história”, conforme o texto da lei. A sanção do projeto consta de edição do Diário Oficial de 21 de outubro.

Aprovada por maioria na Câmara Legislativa do DF, a criação da efeméride foi sugerida pelo deputado bolsonarista Thiago Manzoni (PL).

O objetivo da iniciativa, de acordo com o parlamentar, é “gerar reflexão na sociedade do Distrito Federal por todas as mortes causadas por regimes baseados nessa ideologia, de modo que, de nenhuma maneira, o Brasil seja alcançado por esse mal”. A data escolhida faz alusão ao episódio conhecido como “massacre da Praça da Paz Celestial”, quando o governo chinês reprimiu manifestações populares em 1989.

Em carta enviada ao governador, Bartolomeu – que já foi secretário de Cultura e Economia Criativa na primeira gestão Ibaneis – classificou a lei como um ato de revisionismo histórico e criticou a iniciativa por ignorar vítimas da ditadura militar brasileira.

Afirmou ainda que sua decisão representa “um imperativo ético ante a sanção de uma lei abjecta que institui uma data para celebrar a ‘memória das vítimas do comunismo’ no DF”. No documento, ele também mencionou casos como o do jornalista Vladimir Herzog, assassinado nos porões do DOI-Codi, e de Honestino Guimarães, líder da Federação dos Estudantes Universitários de Brasília.

“Ver hoje o Distrito Federal, a capital da esperança sonhada por Juscelino (este também cassado de seus direitos políticos pela ditadura) adotar tal dispositivo é uma agressão à memória de JK, de Oscar Niemeyer, de Darcy Ribeiro e de todos os que se sacrificaram na luta contra o arbítrio. Representa ceder, a qualquer custo, às mentes mais retrógradas de uma página sombria de nossa história”, disse.

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