Justiça

Gilmar Mendes defende lei para blindar autoridades de sanções internacionais

O tema ganhou tração após o presidente Donald Trump incluir o ministro Alexandre de Moraes e sua esposa na lista de sancionados pela Lei Magnitsky

Gilmar Mendes defende lei para blindar autoridades de sanções internacionais
Gilmar Mendes defende lei para blindar autoridades de sanções internacionais
Ministro Gilmar Mendes. Foto: AL-MT/Reprodução
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Decano do Supremo Tribunal Federal, o ministro Gilmar Mendes defendeu a criação de uma legislação que blinde de sanções internacionais como as que têm sido utilizadas pelos Estados Unidos para pressionar o Judiciário brasileiro. As declarações foram dadas nesta terça-feira 30, durante participação em evento promovido pelo Grupo Lide, em Brasília.

A ideia, conforme explicou o magistrado, é criar um instrumento semelhante às chamadas leis “antiembargos”, já existentes em países da Europa, com o objetivo de resguardar autoridades e instituições brasileiras. “Estamos nos debruçando sobre uma lei antiembargos para proteger não apenas autoridades, mas também entidades que sofrem sanções secundárias, como bancos e prestadores de serviços. É preciso entrar nesse debate e o Congresso é o locus adequado para esse tipo de proteção”.

O tema ganhou tração após o presidente Donald Trump incluir o ministro do STF Alexandre de Moraes e sua esposa na lista de sancionados pela Lei Magnitsky, que mira estrangeiros sob suspeita de violar os direitos humanos. Em outra frente, a gestão do magnata tem cancelado os vistos de autoridades brasileiras. É o caso do PGR Paulo Gonet, do ministro da Saúde Alexandre Padilha e do advogado-geral da União Jorge Messias.

Para o decano do Supremo, o recurso “lamentável” do governo Trump à Magnitsky e a justificativa para aplicá-la a autoridades brasileiras se deve, em parte, ao domínio global de plataformas digitais americanas e à dependência tecnológica do Brasil em relação a essas big techs como Amazon, Google, Meta, Microsoft e Apple.

“O Supremo só regulou [as plataformas no julgamento do artigo 19 do Marco Civil da Internet] diante de um estado de necessidade, diante da impossibilidade de o Congresso tempestivamente deliberar sobre esse assunto. Não se tratou de ativismo, mas de proteger a sociedade”, disse Mendes “Daí, a importância de nós termos um dia da independência da soberania digital”.

A respeito do mundo tecnológico, o ministro do STF destacou que o País precisa assumir protagonismo no cenário global para não ficar refém de um “novo colonialismo digital”. Segundo ele, o risco de um “tecnofeudalismo”, no qual cidadãos e empresas se tornam dependentes de plataformas privadas que monopolizam dados e moldam comportamentos, deve ser enfrentado com políticas robustas. “É a própria noção de soberania que está em jogo”.

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