Justiça
Trama golpista: Moraes autoriza acareação entre Mauro Cid e Marcelo Câmara
A decisão foi publicada nesta quarta-feira 6
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, autorizou a acareação entre Marcelo Câmara, coronel do Exército e ex-assessor de Jair Bolsonaro (PL), e Mauro Cid, tenente-coronel que ocupava o posto de ajudante de ordens no governo do ex-capitão e que, mais tarde, se tornou delator da trama golpista. A decisão foi publicada nesta quarta-feira 6.
Conforme o despacho, a acareação entre os réus pela tentativa de golpe de Estado será realizada no dia 13 de agosto, próxima quarta-feira, na sede do STF. A audiência será às 11h30 e não há a previsão de transmissão, assim como ocorreu em outras acareações no processo.
Câmara é apontado como um dos integrantes do chamado núcleo 2 da trama golpista. O grupo do qual ele fazia parte é citado pela Procuradoria-Geral da República como o responsável por gerenciar as ações planejadas pela suposta organização criminosa liderada por Bolsonaro. Outros militares fazem parte deste núcleo e também são réus no caso.
O coronel já foi ouvido pelo Supremo na semana passada e, diante dos membros da Corte, tentou minimizar seu papel na trama. Disse, por exemplo, não ter participado do plano “Punhal Verde e Amarelo”, que previa o assassinato de Lula (PT), Geraldo Alckmin (PSB) e Moraes.
No interrogatório, ele também declarou ter se sentido “usado” por Cid. Ele sustenta que apenas cumpria ordens do então ajudante de ordens da Presidência e que não tinha conhecimento da real intenção por trás das solicitações que recebia.
Cid, por sua vez, alegou que Câmara teria conhecimento do caso, teve acesso a versões da minuta golpista e atuou diretamente no monitoramento dos alvos do plano de assassinato. Ele aponta que o ex-assessor sabia as motivações para as ordens cumpridas.
São essas versões que serão confrontadas na acareação.
Essa será a terceira vez que o STF colocará frente a frente envolvidos na suposta empreitada golpista para confrontar versões divergentes. Cid, aliás, já participou de um destes procedimentos, com o general Walter Braga Netto, outro réu da trama golpista.
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