Política

‘Não tenho nada com isso’, diz Bolsonaro sobre sanção contra Moraes

O ex-capitão tem evitado falar com jornalistas, supostamente por receio de ser preso

‘Não tenho nada com isso’, diz Bolsonaro sobre sanção contra Moraes
‘Não tenho nada com isso’, diz Bolsonaro sobre sanção contra Moraes
O ex-presidente Jair Bolsonaro. Foto: Mateus Bonomi/AFP
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O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) não comentou, nesta quarta-feira 30, a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de aplicar a Lei Magnitsky contra o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes.

Questionado por jornalistas sobre a medida, o ex-capitão limitou-se a responder: “Não tenho nada com isso”.

Moraes enfatizou, em decisão assinada na terça-feira 29, que Bolsonaro não está proibido de conceder entrevistas. O ex-presidente, porém, tem evitado falar com jornalistas, supostamente por receio de o ministro decretar sua prisão preventiva.

O teor e o modo de divulgar as entrevistas podem, de fato, resultar em prisão, conforme a decisão de Moraes que impôs medidas cautelares a Bolsonaro, a exemplo do uso de tornozeleira eletrônica e da proibição de utilizar redes sociais.

Segundo o ministro, o veto inclui transmissões, retransmissões ou veiculação de áudios, vídeos ou transcrições de entrevistas nas redes de terceiros, “não podendo o investigado se valer desses meios para burlar a medida”.

Filho “zero três” de Jair, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) celebrou prontamente a sanção contra Moraes e cobrou uma “anistia ampla, geral e irrestrita para restaurar a paz, devolver a liberdade aos perseguidos e mostrar ao mundo que o Brasil ainda acredita na democracia”.

O principal objetivo de Eduardo é livrar da Justiça seu pai, réu no STF por liderar a tentativa de golpe de Estado em 2022. O ex-presidente e outros seis integrantes do chamado núcleo crucial da trama golpista têm 15 dias para apresentar suas alegações finais. Na sequência, ocorrerá o julgamento, a cargo da Primeira Turma, formada por Moraes, Flávio Dino, Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Luiz Fux.

Moraes, por sua vez, já classificou como inconstitucional a aprovação de uma eventual anistia a envolvidos na tentativa de golpe, inclusive a Bolsonaro.

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