Justiça

Indígena que denunciou estupros na prisão recebe semiliberdade no AM

Magistrado concluiu que a prisão domiciliar, solicitada pela defesa, não atenderia às necessidades da reeducanda

Indígena que denunciou estupros na prisão recebe semiliberdade no AM
Indígena que denunciou estupros na prisão recebe semiliberdade no AM
Créditos: MPAM / Divulgação
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A Justiça do Amazonas decidiu transferir para o regime de semiliberdade a indígena de 29 anos da etnia Kokama que permaneceu presa por mais de nove meses em uma delegacia de Santo Antônio do Içá com detentos homens. 

A decisão foi divulgada nesta terça-feira 29 pelo portal UOL. Durante o período em que esteve detida, a índigena, identificada pelas iniciais L.M.S., denunciou ter sofrido agressões físicas e morais, além de estupros praticados por policiais militares e um guarda municipal, que foram presos após as acusações.

A concessão de semiliberdade partiu do juiz Diego Martinez Cantoario, da 1ª Vara de Execução Penal de Manaus. O magistrado destacou que a prisão domiciliar, solicitada pela defesa, não atenderia às necessidades da reeducanda, já que poderia provocar isolamento e dificultar sua ressocialização. Para ele, a semiliberdade garante melhores condições de acompanhamento social, psicológico e cultural.

Previsto no Estatuto do Índio (Lei nº 6.001/1973), o regime de semiliberdade permite que indígenas cumpram pena em unidades de assistência ligadas à Funai, próximas às suas comunidades de origem. Na decisão, o juiz ordenou que a Fundação Nacional dos Povos Indígenas seja responsável por acompanhar o caso e garantir a execução da medida.

“Considerando a situação da reeducanda, que é indígena da etnia Kokama, e a necessidade de resguardar sua dignidade, saúde e integridade física, psíquica e cultural, a semiliberdade oferece um ambiente mais propício para o atendimento dessas especificidades, que não poderiam ser atendidas da mesma maneira sob o regime de prisão domiciliar”, afirmou Cantoario.

Segundo ele, “a apenada permaneceu em situação de extrema violência por 9 meses e 17 dias, em desrespeito absoluto à sua integridade física e moral”.

A indígena move uma ação contra o estado do Amazonas, responsabilizando-o por sua prisão irregular e pelas violências sofridas. Laudos periciais confirmaram marcas no corpo compatíveis com os abusos relatados.

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