Justiça
Itamaraty convoca representante dos EUA após nota de apoio a Bolsonaro
Donald Trump saiu em defesa do ex-presidente e disse haver uma ‘caça às bruxas’ no Brasil
O Ministério das Relações Exteriores decidiu convocar o encarregado de negócios da Embaixada dos Estados Unidos em Brasília, Gabriel Escobar, para prestar esclarecimentos após a publicação de uma nota da representação americana que endossa críticas ao Judiciário brasileiro e defende o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Escobar ocupa atualmente o posto mais alto da missão diplomática dos EUA no Brasil, já que o governo Donald Trump ainda não nomeou um embaixador.
A reunião aconteceu nesta quarta-feira 9 e durou um pouco mais de 30 minutos. No encontro, a embaixadora Maria Luiza Escorel expressou incomodo pelo lado brasileiro e disse que os Estados Unidos estariam se intrometendo de forma indevida em assuntos internos. Segundo a GloboNews, o Itamaraty reforçou que “a atitude é inaceitável e que vai gerar consequências negativas para a relação bilateral entre os dois países”, e que “não cabe aos EUA ou a ninguém tomar partido ou se manifestar sobre questões internas que dizem respeito ao Brasil”.
A crise
A nota da embaixada americana repete e reforça as declarações de Trump, que criticou os processos contra Bolsonaro. O ex-capitão é réu no Supremo Tribunal Federal, acusado de liderar a tentativa de golpe de Estado. Também foi declarado inelegível pelo Tribunal Superior Eleitoral por abuso de poder.
“Jair Bolsonaro e sua família têm sido fortes parceiros dos Estados Unidos. A perseguição política contra ele, sua família e seus apoiadores é vergonhosa e desrespeita as tradições democráticas do Brasil. Reforçamos a declaração do presidente Trump. Estamos acompanhando de perto a situação. Não comentamos sobre as próximas ações do Departamento de Estado em relação a casos específicos”, diz a nota.
A convocação de Escobar ocorre após o governo brasileiro reagir publicamente a uma mensagem de Trump, publicada na última segunda-feira 7, na qual o presidente americano afirmava que Bolsonaro é alvo de uma “caça às bruxas” e pedia que “deixem o grande ex-presidente do Brasil em paz”.
Em resposta, o presidente Lula (PT) declarou que o Brasil é um país soberano, com instituições sólidas, e que “ninguém está acima da lei”. Também criticou indiretamente Trump, dizendo que o presidente americano deveria “dar palpite na própria vida”.
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