Justiça

Fachin confirma multa a homem que se revoltou com declaração de Cármen Lúcia e pediu retratação

O ministro afirmou que não há contradição na decisão contestada. O caso diz respeito ao julgamento sobre as redes sociais

Fachin confirma multa a homem que se revoltou com declaração de Cármen Lúcia e pediu retratação
Fachin confirma multa a homem que se revoltou com declaração de Cármen Lúcia e pediu retratação
STF. Fachin defende o uso de câmeras corporais e veta disparos feitos de helicópteros – Imagem: Arquivo/STF
Apoie Siga-nos no

O ministro Edson Fachin, no comando do plantão do Supremo Tribunal Federal, rejeitou nesta quinta-feira 3 o recurso de um homem que acionou a Corte por se sentir indignado com uma declaração da ministra Cármen Lúcia no julgamento sobre a responsabilização civil de redes sociais por publicações de usuários.

Na última terça 1º, o presidente do STF, Luís Roberto Barroso, negou o pedido e aplicou uma multa ao autor por conduta atentatória à dignidade da Justiça. No recurso, o homem pediu reconsideração da ordem e voltou a solicitar uma “retratação pública” de Cármen.

Fachin enfatizou que os embargos de declaração (o tipo de recurso apresentado) não servem para reformar uma decisão, apenas para sanar eventual omissão ou contradição — o que, segundo o ministro, não ocorreu neste caso.

Na última quinta-feira 25, Cármen afirmou ser preciso “impedir que 213 milhões de pequenos tiranos soberanos dominem os espaços digitais no Brasil”. Ela votou por ampliar a responsabilização das big techs por conteúdos ilegais de internautas.

Joaquim Filho protocolou um habeas corpus no STF para solicitar o reconhecimento de “violação dos direitos fundamentais à dignidade e à liberdade de expressão” devido ao que disse a ministra.

Barroso, porém, sustentou que o pedido não se encaixa em qualquer das hipóteses de recebimento de um HC, por não apontar ameaça à liberdade de locomoção. O requerimento tampouco se enquadra nas outras possibilidades de competência originária do STF, acrescentou.

O autor do HC sequer é advogado e não tem representante legal no processo, o que descumpre a exigência de capacidade postulatória.

Além de negar o HC, Barroso afirmou que o requerente tem apresentado, de forma reiterada, “pedidos evidentemente inadmissíveis” ao STF. O ministro já havia informado ao homem que novas petições em descompasso com as regras seriam consideradas atentatórias à dignidade da Justiça.

Em razão do descumprimento, o presidente do Supremo aplicou a multa de um salário mínimo.

ENTENDA MAIS SOBRE: , , , ,

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo

Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome

Depois de anos bicudos, voltamos a um Brasil minimamente normal. Este novo normal, contudo, segue repleto de incertezas. A ameaça bolsonarista persiste e os apetites do mercado e do Congresso continuam a pressionar o governo. Lá fora, o avanço global da extrema-direita e a brutalidade em Gaza e na Ucrânia arriscam implodir os frágeis alicerces da governança mundial.

CartaCapital não tem o apoio de bancos e fundações. Sobrevive, unicamente, da venda de anúncios e projetos e das contribuições de seus leitores. E seu apoio, leitor, é cada vez mais fundamental.

Não deixe a Carta parar. Se você valoriza o bom jornalismo, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal da revista ou contribua com o quanto puder.

Leia também

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo