Justiça
Moraes dá 48 horas para Marinha prestar esclarecimentos em ação que apura a trama golpista
A Força deve detalhar o planejamento da operação Formosa, que motivou o desfile de blindados em Brasília
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou que a Marinha preste, em até 48 horas, esclarecimentos sobre a operação Formosa, realizada em 2021, no âmbito da ação penal que apura a trama golpista. A decisão foi tomada nesta terça-feira 17.
A operação foi mencionada durante o interrogatório do almirante Almir Garnier, ex-comandante da Marinha, ao tratar do desfile de blindados em Brasília.
Segundo o militar, o desfile fazia parte do planejamento da operação Formosa e serviria para entregar um convite ao então presidente Jair Bolsonaro (PL). A ideia, disse, era que os veículos também ficassem em exibição para visitação pública após o desfile como uma forma de “prestar contras à sociedade” sobre os gastos com a operação.
Politicamente, porém, o episódio na ocasião foi tratado como uma forma de Bolsonaro demonstrar força em um confronto político com o Congresso Nacional, que naquela ocasião analisava a proposta do voto impresso.
Almir Garnier depõe ao STF sobre a sua participação na trama golpista. O militar é um dos réus do chamado núcleo crucial do golpe. Foto: EVARISTO SA / AFP
Garnier, no entanto, negou a leitura política do caso e alegou se tratar apenas de uma inevitável coincidência de datas. Segundo a versão do almirante, foi a Câmara que marcou a votação no dia programado para o desfile, que não poderia ser adiado por conta da grande logística envolvendo o deslocamento dos veículos – levados do Rio de Janeiro a Brasília.
É justamente esse planejamento que Moraes determinou que seja apresentado pelo almirante de Esquadra Marcos Sampaio Olsen, atual chefe da Marinha. Olsen terá de informar ao STF especificamente a data em que foi expedida a ordem de deslocamento dos blindados.
A ideia é cruzar todas informações para verificar a versão apresentada por Garnier no interrogatório. O pedido partiu da própria defesa do militar e foi considerado ‘pertinente’ pelo ministro relator do caso.
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