Justiça
TRF-1 anula reintegração de posse de fazenda em terra Pataxó na Bahia
A nulidade da reintegração ocorre após indígenas retomarem por conta própria o território
O Tribunal Regional Federal da 1ª Região seguiu a manifestação do Ministério Público Federal e negou a reintegração de posse da Fazenda Boa Vida, em Pau Brasil, no extremo sul da Bahia. A decisão considera que a área em disputa pertence à Terra Indígena Caramuru-Catarina-Paraguaçu, da etnia Pataxó Hã-Hã-Hãe.
O MPF argumentou à Justiça que a interferência do terreno particular prejudica o modo de vida dos indígenas, que dependem da agricultura de subsistência, da criação de animais, da caça e da pesca.
O acórdão, publicado na segunda-feira 5, também se baseia em uma decisão do Supremo Tribunal Federal que anulou os títulos de propriedades de terra concedidos pelo governo da Bahia a fazendeiros e agricultores na área da reserva indígena.
A constante disputa na área ganhou tração quando Pataxós reivindicaram o território, por conta própria, ao ocuparem fazendas na região que conflitam com a área demarcada e a reserva ambiental.
Em janeiro de 2024, Nega Pataxó, irmã do cacique Nailton Muniz Pataxó, foi assassinada no território Caramuru após uma semana de intensos conflitos entre Pataxós, fazendeiros e agentes da Polícia Militar em meio à ocupação de uma fazenda na região.
À época, ruralistas se mobilizaram via Whatsapp para realizar um cerco armado ao local e tentaram fazer uma reintegração de posse da fazenda com as próprias mãos.
2026 já começou
Às vésperas das eleições de 2026, o País volta a encarar um ponto de inflexão: o futuro democrático está novamente em jogo.
A ameaça bolsonarista não foi derrotada, apenas recuou. No Congresso, forças conservadoras seguem ditando o ritmo. Lá fora, o avanço da extrema-direita e os conflitos em Gaza, no Irã e na Ucrânia agravam a instabilidade global.
Se você valoriza o jornalismo crítico, independente e comprometido com a democracia, este é o momento de agir.
Assine ou contribua com o quanto puder.


