Política
Ameaçado, Jean Wyllys abre mão de mandato e não voltará ao Brasil
Seu suplente, o vereador David Miranda (PSOL-RJ) é também ligado à defesa das causas LGBTI
Assustado com as ameaças que vem sofrendo, o deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ) abriu mão de tomar posse para um novo mandato na Câmara. De férias no exterior (por questões de segurança, ele não quis dizer onde), decidiu não voltar mais ao país.
Wyllys anunciou a decisão nesta quinta-feira 24. Sua assessoria confirmou a informação a CartaCapital. Ele pensava em deixar o país há algum tempo, mas preferiu esperar para anunciar a notícia.
Segundo ele, também pesaram as suspeitas de envolvimento do senador Flavio Bolsonaro com um miliciano preso por suspeitas de participação no assassinato de Marielle Franco. “Me apavora saber que o filho do presidente contratou no seu gabinete a esposa e a mãe do sicário”, disse à Folha.
Em entrevista a CartaCapital em novembro, ele dizia ter medo de terminar como a amiga Marielle, cujo assassinato brutal segue sem solução. À época, Wyllys já falava sobre se dedicar mais a si mesmo. “O Mujica (José Alberto “Pepe” Mujica, ex-presidente do Uruguai) recomendou que eu cuide mais de mim. É o que vou fazer, não vejo a hora de entrar em férias para recuperar a energia”.
Wyllys era deputado desde 2011, e foi eleito pela terceira vez consecutiva com 24.295 votos. Caso se confirme a desistência, assume a vaga o vereador David Miranda (PSOL-RJ), também ligado à defesa das causas LGBTI e crítico ferrenho das milícias cariocas e das posturas adotadas pela família Bolsonaro.
Miranda também é vítima de ofensas homofóbicas: eleito há dois anos, costuma ser alvo das provocações do Pastor Otoni de Paula (PSC), também foi eleito deputado federal no último pleito.
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