Justiça

Juíza processa advogado após agressões racistas em petição

Helenice Rangel foi chamada de ‘magistrada afrodescendente com resquícios de senzala’

Juíza processa advogado após agressões racistas em petição
Juíza processa advogado após agressões racistas em petição
Juíza Helenice Rangel. Foto: Arquivo Pessoal
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A juíza Helena Rangel, alvo de agressões racistas cometidas pelo advogado José Abud em meio a um julgamento de um processo em Campos dos Goytacazes, interior do Rio de Janeiro, decidiu processar o agressor por injúria.

O processo foi formalizado junto ao Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ) na última quarta-feira 19, cerca de duas semanas após ela ter se afastado do caso alegando questão de foro íntimo.

O caso aconteceu durante um julgamento de um processo na 3ª Vara Cível de Campos dos Goytacazes, onde a juíza atua. Em uma petição, o advogado disse que ela seria uma “magistrada afrodescendente com resquícios de senzala e recalque ou memória celular dos açoites”.

Em outro trecho da mesma petição, Abud critica o que chama de “decisões prevaricadoras proferidas por bonecas admoestadas das filhas das Sinhás das casas de engenho”.

O magistrado Leonardo Cajueiro D’Azevedo, que assumiu o processo depois que Rangel se afastou, encaminhou a ação ao procurador-geral de Justiça, Antônio José Campos Moreira, pedindo uma investigação contra Abud por três crimes: racismo, injúria racial e apologia ao racismo.

Helenice Rangel disse que a conduta do advogado é “ameaçadora”. “Temos que dar um basta a essa sensação de impunidade”, enfatizou. Segundo ela, Abud tem um comportamento inadequado, já que, antes mesmo desse episódio, ele enviava e-mails desrespeitosos e irônicos.

O TJRJ, por sua vez, repudiou as manifestações racistas direcionadas à magistrada. “As declarações proferidas pelo advogado José Francisco Abud são incompatíveis com o respeito exigido nas relações institucionais e configuram evidente violação aos princípios éticos e legais que regem a atividade jurídica.”

A seccional do Rio de Janeiro da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ) abriu sindicância sobre o caso. A corregedoria da entidade pediu a suspensão das atividades do advogado. O caso será julgado pelo Tribunal de Ética e Disciplina da OAB-RJ.

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