Justiça
Câmara cita risco de ‘convulsão parlamentar’ e pede que STF adie anulação do mandato de 7 deputados
A Casa alega que vai precisar de mais prazo para cumprir a decisão do Supremo sobre as chamadas sobras eleitorais
A Câmara dos Deputados solicitou ao Supremo Tribunal Federal um alargamento do prazo para cumprir uma decisão que deve anular o mandato de 7 parlamentares. A Casa de Leis citou, no pedido, um risco de ‘convulsão na representação parlamentar’.
Segundo a Câmara, será preciso realizar uma “análise minuciosa” dos mandatos para conseguir aplicar a decisão. Diante da complexidade do caso, a Casa pediu o adiamento da aplicação da ordem judicial.
“Há risco de convulsão na representação parlamentar, com perda e assunções de mandato que impactam diretamente no funcionamento e organização da Câmara dos Deputados, carecendo de análise minuciosa, com a prudência e a proporcionalidade necessárias”, diz a Câmara no pedido encaminhado ao STF.
O tribunal ainda não respondeu o pedido dos parlamentares.
Entenda a decisão
Na última quinta-feira 13, o Supremo anulou a eleição de 7 parlamentares ao analisar as chamadas “sobras eleitorais”. A Corte mudou o seu entendimento sobre o tema, aplicando às eleições de 2022 uma nova regra que diz que todos os candidatos e partidos podem concorrer às “sobras”.
Na prática, a decisão afeta os mandatos de Augusto Puppio (MDB-AP), Gilvan Máximo (Republicanos-DF), Sílvia Waiãpi (PL-AP), Sonize Barbosa (PL-AP), Professora Goreth (PDT-AP), Lebrão (União-RO) e Lázaro Botelho (PP-TO). Todos, pela nova regra, deixarão de ser deputados.
A Câmara argumenta, porém, que a decisão somente poderá ser aplicada quando transitar em julgado (ou seja, quando não couber mais recurso), exatamente porque se refere ao mérito da questão.
A saída dos parlamentares citados deverá abrir espaço para Professora Marcivânia (PCdoB-AP), Paulo Lemos (PSOL-AP), André Abdon (PP-AP), Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), Rafael Bento (Podemos-RO), Tiago Dimas (Podemos-TO) e Aline Gurgel (Republicanos-AP). O grupo assumirá as cadeiras após recontagem de votos, que deverá ser promovida pela Justiça Eleitoral.
2026 já começou
Às vésperas das eleições de 2026, o País volta a encarar um ponto de inflexão: o futuro democrático está novamente em jogo.
A ameaça bolsonarista não foi derrotada, apenas recuou. No Congresso, forças conservadoras seguem ditando o ritmo. Lá fora, o avanço da extrema-direita e os conflitos em Gaza, no Irã e na Ucrânia agravam a instabilidade global.
Se você valoriza o jornalismo crítico, independente e comprometido com a democracia, este é o momento de agir.
Assine ou contribua com o quanto puder.
Leia também
Senado deve votar nesta terça redução dos prazos de inelegibilidade
Por CartaCapital
Hugo Motta pede ‘bom comportamento’ em sessão solene com ministros do STF
Por Wendal Carmo



