Justiça
CNJ afasta juiz citado pela PF por envolvimento em documento contra as urnas
A corporação afirma que Sandro Vieira ‘atuou de forma ilegal e clandestina’. O afastamento ocorreu após um ofício do STF
O corregedor nacional de Justiça, Mauro Campbell, determinou o afastamento cautelar do juiz Sandro Nunes Vieira, citado no relatório da Polícia Federal sobre a trama golpista de 2022. O magistrado, porém, não consta da lista de 37 indiciados.
A decisão sobre Vieira, que trabalhou no Tribunal Superior Eleitoral e é vinculado ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região, ocorreu após o Conselho Nacional de Justiça receber um ofício do Supremo Tribunal Federal. O caso tramita em sigilo.
No relatório final do inquérito sobre a conspiração para manter Jair Bolsonaro (PL) mesmo após a derrota para Lula (PT), a PF escreveu que o magistrado “atuou de forma ilegal e clandestina, ao assessorar o Partido Liberal na representação eleitoral contra as urnas eletrônicas”.
De acordo com a polícia, Vieira auxiliou o Instituto Voto Legal, o IVL, organização que produziu o relatório com ataques às urnas apresentado pelo PL em 2022. Os indícios foram apontados por meio de mensagens eletrônicas analisadas pelos investigadores.
A apuração da PF mostrou que o juiz trocou mensagens com o coronel do Exército Marcelo Câmara, ex-assessor de Bolsonaro, e com Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente. Os contatos aconteceram, de acordo com o relatório da PF, no período em que Vieira estava no TSE.
A busca também revelou, segundo a PF, que Sandro Vieira pediu ao presidente do PL, Valdemar Costa Neto, para ter cuidado e não citá-lo como colaborador do documento contra as urnas.
Em entrevista em novembro de 2022, Valdemar mencionou uma conversa com “um ex-diretor do TSE, o Sandro”, que estaria “ajudando a gente”.
À época, o juiz se apressou para negar o contato. “Fui informado pela equipe de comunicação do TSE que meu nome havia sido citado pelo presidente do Partido Liberal, Sr. Valdemar Costa Neto, no contexto de que teria falado comigo sobre eventuais irregularidades nas urnas eletrônicas. Sobre o tema, venho esclarecer que nunca tive contato pessoal com o presidente do Partido Liberal. Como juiz, não emito opiniões públicas ou juízos de valor sobre processos de conotação política”, escreveu, em nota transcrita no relatório da PF.
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